A informação de que o pagamento de agosto sairá hoje aliviou o clima que já começava a ficar pesado entre os jogadores do Londrina. O grupo chegou a discutir o problema antes do início da série de corridas, ontem à tarde, no Zerão. O zagueiro Carlos Alberto e o atacante Mauro eram os que mais gesticulavam, num gesto de inconformismo.
Mas, ao retornar ao Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), às 18h30, todos ouviram a boa notícia transmitida pelos dirigentes: o secretário-geral da Prefeitura, Gino Azollini, prometeu liberar hoje à tarde o cheque de R$ 80 mil. É o que resta do compromisso mensal assumido pelo prefeito Antonio Belinati - e não R$ 150 mil acumulados - ao contrário do que saiu publicado na edição de ontem da Folha (Belinati já havia antecipado R$ 70 mil).
O coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, e o presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral, reuniram os jogadores nos vestiários. A imprensa pôde acompanhar o encontro. ‘‘Não temos nada a esconder. É bom mesmo que haja transparência’’, afirmou Guergoletto. ‘‘Temos uma grande responsabilidade nas mãos. A torcida precisa saber de tudo’’, acrescentou Amaral.
Amaral justificou o atraso e atribuiu o contratempo às dificuldades de Belinati em conseguir o dinheiro. Mesmo assim, Carlos Alberto reclamou em nome dos companheiros, repetindo o que disse no Zerão. ‘‘Vou deixar bem claro que não estamos contentes. Me contaram que eu iria receber no dia 5 e não no dia 15. Mais do que nunca, quero ganhar do União. Não podemos misturar as coisas. Temos seriedade e profissionalismo. Cumprimos nossa parte. Mas, se a gente perde, a cobrança é violentíssima. Da imprensa e dos torcedores. A vida é assim, paciência. Mas, se o salário não sai em dia, como é que vamos pagar nossas contas?’’
Amaral elogiou a sinceridade de Carlos Alberto - ‘‘Gosto das pessoas que falam de frente’’ - mas discordou do zagueiro em apenas um ponto: a previsão de pagamento é sempre para o dia 10 de cada mês. ‘‘De resto, você está certo em tudo. Também estamos (os dirigentes) ao lado de vocês (jogadores). Não se admite um dia de atraso.’’ Guergoletto concordou imediatamente. ‘‘Dizem que o Remo não paga há três meses e lidera nosso grupo na Série B. Isso é problemas deles. Aqui, não iremos permitir que manchem a credibilidade que só Deus sabe como estamos reconquistando.’’
O técnico Varlei de Carvalho negou que o episódio tenha tumultuado o ambiente ou que pudesse servir de pretexto para uma possível crise no elenco. Preferiu derramar elogios ao prefeito: ‘‘Crise é você ficar três ou quatro meses sem receber salários, como já ocorreu comigo. Outro detalhe: Me orgulho de ser amigo pessoal do prefeito. Posso garantir que o Belinati é um homem de palavra. Ele está sempre conosco nos bons e nos maus momentos’’.
O atacante Alaor procurou esfriar a polêmica que ameaçou a paz do Londrina, às vésperas de um jogo que pode garantir matematicamente a vaga do time à próxima fase da Série B do Brasileiro. E seguiu o mesmo caminho de Varlei. ‘‘Fizeram muita tempestade... Sou daqui e sei como é que as coisas funcionam. As pessoas que hoje tocam o Londrina, inclusive Belinati, têm caráter e jamais pisariam na bola.’’Josoé de CarvalhoPalavra de ordemJogadores discutem a falta de pagamento antes da corrida de ontem à tarde no Zerão: ‘Como é que vamos pagar as nossas contas?’Dirigentes anunciam para o elenco liberação do salário de agosto para hoje à tarde

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