Apesar dos 32 mil quilômetros de águas interiores navegáveis existentes no Brasil, a canoagem está longe de ser um esporte amplamente conhecido e praticado pelos brasileiros. Porém, aos poucos, essa realidade está mudando com a implantação de diversos projetos, ou ‘‘escolinhas de canoagem’’, por várias cidades do País.
  E a prova concreta de que vale a pena para o poder público e para a iniciativa privada investir nesse tipo de projeto está na seleção feminina permanente de canoagem. Todas as nove atletas que treinam para que o Brasil conquiste medalhas no Pan começaram em projetos sociais.
  É o caso da paranaense Lacy Bianqui, 15 anos. Ela sempre gostou de esportes e praticava futebol antes de conhecer a canoagem. Nascida e criada em Ribeirão Claro, costumava brincar na Represa de Xavantes, até que foi convidada por uma tia que praticava o esporte para participar do Projeto Segundo Tempo, mantido pelo Ministério dos Esportes e pela Prefeitura de Ribeirão Claro. ‘‘A partir daí, minha vida mudou totalmente. Naquele projeto começou um sonho, que deve terminar com um título olímpico’’, prevê, Lacy, confiante.
  O projeto Esporte e Talento, mantido pela Fundação Ayrton Senna, em São Paulo, revelou duas atletas para a seleção: Ariela Pinto e Daniela Alvarez, ambas com 24 anos. Ariela começou a praticar canoagem com 14 anos. Morando em Osasco (SP), a 40 quilômetros da Universidade de São Paulo (USP), onde funciona o projeto, ela não se importava de ter que encarar uma viagem de ônibus todos os dias.
  No entanto, em um certo momento, achou que a canoagem estava lhe tomando muito tempo e não a levaria a lugar algum, então decidiu parar. ‘‘Eu gostava muito da canoagem, mas precisava estudar para o vestibular e desenvolver outras atividades’’, relembra.
  Porém, ela já estava ‘‘viciada’’ pelo esporte e conseguiu ficar apenas um mês e meio longe do caiaque. Quando percebeu, já estava vivendo do esporte. Seu primeiro salário como atleta foi no ano de 2000, quando a seleção brasileira treinava em Londrina. Atualmente, ela cursa Educação Física na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e está incluída no Programa Bolsa Atleta do governo Federal.
  Daniela decidiu praticar a canoagem com 13 anos, quando foi assistir a uma competição de seu irmão, que participava do projeto da Fundação Ayrton Senna. No início, enfrentou certa resistência do pai. ‘‘Ele achava que era um esporte para homens, que me deixaria musculosa’’, explica.
  Mesmo assim, ela foi adiante e hoje orgulha-se de seu corpo, mas não se esquece das dificuldades dos primeiros momentos de seleção, em Caxias do Sul. ‘‘Eu chorava demais no primeiro ano que fiquei em Caxias, por causa da saudade da família. O frio também judiava. Agora estou mais acostumada’’, conta. Atualmente ela também recebe a bolsa atleta do governo federal e cursa Educação Física na UCS. (W.S.)

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