Projeto universitário busca novos campeões
Projetos sociais envolvendo deficientes intelectuais e físicos proliferam e na área esportiva não é diferente. Além da função de reabilitar e incluir pessoas capazes - que muitas vezes não se enquadram aos padrões sociais - por meio do esporte é possível descobrir talentos. Foi assim que o destino trilhou o caminho do nadador Daniel Dias, destaque na última Paraolimpíada, em Pequim, e a maior promessa de medalhas o Meeting de Natação 2009. Ele foi descoberto pela docente Márcia Greguol, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), quando ainda trabalhava em São Paulo, na piscina do projeto Natação para todos.
Quando cheguei na piscina, a professora Márcia perguntou se eu sabia nadar. Na hora, respondi que não me afogava. Foi com ela que aprendi os quatro estilos da natação, relembra o medalhista olímpico. Para quem não conhece Daniel Dias, o rapaz foi recordista nas últimas Paraolimpíadas. Além das nove medalhas olímpicas (quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze), ele também ganhou o Troféu Laureus - considerado o Oscar do Esporte, como o melhor atleta paraolímpico de 2008.
É importante ressaltar que o londrinense agora tem à disposição um aparato muito parecido com aquele que descobriu a potencialidade de Dias. Márcia coordena o projeto Natação para crianças e adolescentes, desenvolvido pelo departamento de Educação Física da UEL, que trabalha com a reabilitação motora de deficientes. Em oito meses, a docente sublinha que a hora de estar na piscina, se traduz num momento de grande liberdade para as crianças com deficiência.
Para se locomoverem fora da água, eles dependem da cadeira de rodas, muletas, bengalas e uma série de auxílios. Na piscina é o contrário, porque dá para se movimentar de maneira autônoma sem nenhum tipo de apoio, analisa Márcia. Conforme cita, os benefícios se refletem sobretudo na auto-competência, uma vez que o aumento da confiança é o aspecto que sobressai.
Durante a vigência do projeto, a docente avalia como ótima a adaptação das crianças ao ambiente aquático. As aulas são realizadas uma vez por semana e agora a próxima etapa é estudar a possibilidade de ampliar a frequência, uma vez que muitos já aprenderam os quatro estilos e mesmo os menores, que chegaram sem nenhuma experiência, já possuem intimidade com a água.
Sobre a experiência que o trabalho ajudou a acumular, se sobressai a percepção de que não são crianças com deficiências, mas com potencialidades diferentes, porque a ideia não é focar os trabalhos nas deficiências que possuem, mas sim nas capacidades que podem ser exploradas.
Eu trato como se deveria tratar qualquer outra criança. Já existe toda uma sociedade para superproteger e por isso porque preciso focar naquilo que podem fazer. Como são crianças que não têm oportunidade de praticar em lugares com quem não tem deficiência, elas dão mais valor, acredita.
As crianças atendidas pelo projeto normalmente chegam encaminhadas pelo departamento de Neurologia do Hospital Universitário. Márcia afirma que a maioria sofre de paralisia cerebral, mas o projeto recebe interessados com todos os tipos de deficiências.
Outro detalhe importante é a dificuldade em agendar horários nas piscinas da UEL para realização das aulas, fato que limita o atendimento. Caso algum proprietário de academia se identifique com a proposta basta entrar em contato com a coordenadora pelo fone (43) 9954-0303. Pais de crianças interessadas em participar podem ligar para o mesmo número. (R.O.)





