São Paulo - Paula, a Magic Paula, atormentou rivais com pontaria certeira nas quase três décadas em que esbanjou arte nas quadras de basquete. A gestora esportiva Maria Paula Gonçalves da Silva pretende continuar com a mira afiada, agora na administração de recursos para a preparação de uma centena de atletas com potencial de bons resultados na Olimpíada de 2016. Ela é responsável por coordenar um projeto milionário de patrocínio da Petrobras, via Lei de Incentivo ao Esporte.
A estatal escolheu cinco confederações - remo, taekwondo, esgrima, levantamento de peso e boxe - para receber recursos que lhes permitam olhar com ousadia para a competição de que o Brasil será anfitrião. E entregou à Passe de Mágica, empresa de Paula, a missão de atuar como elo entre as pontas. A ex-jogadora fez um levantamento das carências e objetivos desse grupo de confederações nanicas, em geral esquecidas dos grandes investidores, e preparou um plano de ação.
Por que você aceitou coordenar este projeto?
Vinha sentindo que estava na hora de alçar novos voos, por mais que eu estivesse fazendo um bom trabalho no Centro Olímpico. Já são quase dez anos na área da gestão esportiva, me preparando para algo mais substancioso. Quando veio o convite da Petrobras, foi uma sinergia. O esporte brasileiro vive um momento especial para captação de recursos, mas a gente continua, ainda, convivendo com problemas antigos, como o dinheiro não chegar ao atleta. O projeto tem muito a ver com o que eu acredito, que é fazer com que o atleta tenha garantias de poder trabalhar bem, de maneira correta, e ter resultados.
Quando começou o trabalho?
Participo desde dezembro, quando foi criada uma comissão para construir o programa. Depois recebi o convite para assumir por meio da minha instituição, a Passe de Mágica. O que me preocupava era a relação com as confederações, mas começamos a trabalhar com elas em maio e a receptividade foi muito boa, de poder construir algo juntos e perguntar: Qual é o sonho de vocês?
O projeto visa a medalhas em 2016 ou pretende difundir modalidades?
Pedimos para que cada confederação colocasse seus objetivos, mas que fossem reais. Consequentemente, haverá melhora, mas não há cobrança por resultado imediato. Todos têm suas metas, entre Pan, Olimpíada e Mundiais. A cada ano, vamos reavaliando. Acredito que com o apoio e a estrutura é impossível não ter resultado. Outra preocupação é não apoiar só o atleta, mas também o técnico, que precisa estar motivado, ter um salário, ter o foco só neste trabalho.
O presidente do COB Carlos Arthur Nuzman afirma que a construção de centros de treinamento e a contratação de técnicos estrangeiros são essenciais para a nossa evolução. Você concorda?
Acho que o esporte brasileiro precisa valorizar mais o profissional que está aqui, na iniciação, na formação. A gente fala em formar atleta, mas esquecemos desse importante profissional de educação física. Sobre o técnico estrangeiro, acho mais legal ir lá onde o treinador está, conviver no dia a dia dele. Não sei se o cara vem para cá e nos dá o caminho das pedras. Mas acho que o vaivém é importante. Eu sou a favor dos centros de treinamento, mas faço uma pergunta: teremos profissionais para captar talentos?
Qual é a distância entre a iniciação e o alto rendimento?
É grande. Num universo de quase mil atletas no Centro Olímpico, tínhamos 13 em seleções brasileiras de base. O esporte de alto rendimento é para poucos. Algo que a gente tem observado é a dificuldade de seduzir o jovem de hoje. Com esse mundo virtual, ninguém mais quer ficar cinco, seis horas batendo numa bola ou ir dormir cedo. Ele quer ir para a balada, jogar videogame, muitas vezes ele contra ele mesmo. As crianças que chegam hoje nas escolinhas não sabem correr.

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