O ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, Pelé, trava uma queda de braço com a Câmara, na tentativa de fazer valer a urgência constitucional de 45 dias para o exame da Lei Pelé pelos deputados. Líderes aliados ao governo estão forçando o ministro a pedir a retirada da urgência, assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, por conta das fortes resistências de deputados e senadores ao projeto.
Preocupado, o ministro consumiu sua quarta-feira e conversas e articulações no Congresso. No encontro com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), no final da manhã de ontem, Pelé recebeu um conselho. Depois de indagar quais as mudanças fundamentais que o projeto propõe, o senador sugeriu que ele prepare, o mais rápido possível, um quadro comparativo entre o que diz a Lei Zico, com as regras atuais, e o que muda com a nova lei. A idéia do senador é enviar o informativo o quanto antes aos parlamentares.
Segundo um líder informal da base governista, o ministro decidiu entrar em campo na batalha da conquista de votos para aprovar o projeto porque o apoio esperado do Palácio do Planalto não veio. Não interessa ao governo entrar em choque com o Congresso às vésperas das eleições gerais de 1998. Pelé se queixa, também, do forte lobby contrário à Lei Pelé, patrocinado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A assessoria do ministro avalia que, de cada cinco parlamentares, três têm alguma ligação com clubes de futebol. E os clubes reagem especialmente à proposta de criação do clube-empresa, que moraliza a administração do futebol na medida em que torna obrigatória a prestação de contas e determina que as irregularidades eventuais sejam investigadas pelo Ministério Público.
As resistências dos políticos ficaram evidentes logo na primeira conversa, com o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA). O líder ponderou a conveniência da retirada da urgência, também defendida pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). ‘‘O risco de a Câmara rejeitar o projeto é grande’’, argumentou Geddel, ao salientar que a pressa contraria os interesses do ministro porque não haverá tempo para esclarecer os parlamentares. O temor do ministro é o de a proposta não ser votada este ano, caso ele desista da urgência.
O líder do PSDB, Aécio Neves (MG), prometeu o empenho de seu partido em favor do projeto do ministro. O líder do PPB, Odelmo Leão, destacou que também há reações contrárias no partido, embora ainda não tenha discutido a proposta com sua bancada. As perpectivas para 1998 seriam ainda piores, pois as dificuldade sempre aumentam em ano eleitoral.

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