Curitiba - O sonho de ser jogador de futebol é comum à maioria das crianças e jovens brasileiros. Mas transformar esta expectativa em realidade nem sempre é algo fácil de ser conseguido e, atualmente, são as escolinhas de futebol que fazem o papel de revelar novos talentos, substituindo os campos de várzea. Muitas delas são mantidas por empresas sem ligação direta com o esporte, como é o caso do projeto Rodolatina Futebol, criado em 2004 por empresários do setor de transporte e logística.
Com a proposta de formar não apenas atletas, mas também cidadãos conscientes e preparados para a vida adulta, o projeto começou atendendo 20 jovens de regiões carentes de Curitiba. Com o tempo a empresa ampliou o número de participantes, até chegar aos atuais 100 garotos, de 12 a 17 anos de idade. Jovens que recentemente ganharam um centro de treinamento, localizado em Piraquara, com três campos para treinos, academia de musculação, sala de fisioterapia e refeitório - além de acompanhamento pedagógico e nutricional.
Para entrar no projeto, que além da escolinha forma equipes para disputar competições da categorias de base - o Rodolatina é o atual campeão metropolitano Sub-15 e Sub-14 -, os garotos passam pelas tradicionais ''peneiras'' e, se aprovados, passam a treinar no CT, onde desenvolvem técnica e fundamentos. Para se manter no projeto, os jovens precisam ter bom desempenho escolar e boa convivência em grupo, já que o respeito aos colegas é exigência básica do técnico Rodimar Garcia, criador e coordenador do projeto. ''O Agostinho Zibetti (diretor da empresa) me conhecia porque eu treinava o filho dele em uma escolinha. Em uma de nossas conversas tivemos a ideia de usar o esporte em um projeto social, para dar aos garotos uma ocupação e evitar que eles ficassem à toa por aí'', resume o treinador, que foi jogador das divisões de base do Coritiba.
''Quando eu tinha 21 anos eu vi que minha carreira de jogador não estava engrenando e passei a trabalhar com escolinhas de futebol. É muito fácil trabalhar com estes meninos e o nosso diferencial aqui é que buscamos a evolução individual do atleta e não só da equipe. Muitos garotos são dispensados de outros clubes porque não dominavam algum fundamento e aqui a gente dá oportunidade para eles se aprimorarem'', complementa.
Por isso Rodimar não esconde o orgulho quando algum de seus ex-atletas passa a integrar clubes de renome nacional. ''Já cedemos jogadores para Grêmio, Atético Mineiro, Cruzeiro e Coritiba'', enumera o treinador, que segue acompanhando a carreira dos pupilos.
Mas, apesar do sucesso nas competições, o lado social do projeto é considerado fator primordial pelos mantenedores. ''Os garotos mais velhos, que estudam à noite, chegam aqui às 9h30, treinam pela manhã, almoçam e fazem mais treinamentos à tarde. Temos grande responsabilidade na educação deles já que eles passam a maior parte do dia aqui, onde aprendem a conviver em harmonia com os colegas. E também tem o lado cultural já que alguns deles tiveram a chance de conhecer outros países, participando de competições internacionais'', conta Gilsioney Marques, gestor do projeto.

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