Projeto ensina futebol americano a adolescentes
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sábado, 10 de outubro de 2015
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
O futebol americano ainda engatinha no Brasil. Mas, em Londrina, um projeto de iniciação está dando a oportunidade para que adolescentes tenham o primeiro contato com a modalidade. Apesar do pouco tempo de treino, os garotos já se sentem atraídos pelo esporte que leva multidões aos estádios e movimenta milhões de dólares na América do Norte.
Fundado há seis anos, o Londrina Bristle Backs disputa partidas amistosas e se prepara para o Paranaense de 2016. No mês passado, a equipe iniciou uma "escolinha" para meninos entre 12 e 15 anos, com o objetivo de disseminar a modalidade e formar futuros jogadores. O programa é pioneiro no Paraná.
Para dissociar a ideia de que o futebol americano é um esporte violento e de muito contato físico, o projeto emprega as técnicas do futebol americano Flag, justamente para a iniciação de crianças e adolescentes no esporte. "O Flag é uma ferramenta pedagógica para quem está começando. Não é permitido o contato físico entre os atletas e, com exceção de um protetor bucal, não é necessário o uso de equipamentos de segurança", explica Guilherme Muraoka, atleta e membro da comissão técnica do time adulto e idealizador do projeto.
Enquanto no futebol americano tradicional, o Full Pad, onde o uso dos equipamentos de segurança é obrigatório, o contato físico é a forma encontrada pela defesa para evitar a progressão do time que está no ataque, no Flag, os jogadores utilizam uma cinta com bandeiras. "A meta é tirar as bandeirinhas para parar os atacantes", ensina o treinador. No Flag, cada time é formado por cinco jogadores, já no Full Pad, são 11.
Atualmente, em torno de 20 meninos treinam três vezes por semana no Sest/Senat e o objetivo é montar uma equipe para disputar competições sub-16 a partir do próximo ano. Eventos nesta categoria já são realizados em estados como São Paulo e Goiás. "Sempre tive esse sonho de trabalhar com o futebol americano como ferramenta de formação de caráter. E, pode servir também como uma conexão para esses meninos irem para os Estados Unidos, através de bolsas de estudo. A próxima etapa é agendar visitas nas escolas para trazer mais gente para treinar", ressalta Muraoka.
João Antônio Ferrari, de 14 anos, já acompanhava o futebol americano pela televisão e que tem gostado muito dos treinos. "É mais legal que o nosso futebol e eu já treinava sozinho em casa. O que mais me atrai é que é um jogo de estratégia, como se fosse uma luta", revelou o menino, que tem treinado como Quarterback, o armador do time. "Descobri o projeto pelas redes sociais e convidei alguns amigos".
Um desses convidados foi Pedro Bronzatti, também de 14 anos, que sempre treinou basquete e vôlei. "Achei bem interessante o futebol americano e acho que tem tudo para crescer no Brasil, já que é muito diferente de tudo que é praticado aqui", conta.
Guilherme Muraoka também acredita em uma maior visibilidade da modalidade no País e cita, como exemplo disso, a participação, pela primeira vez este ano, da seleção brasileira no Campeonato Mundial, disputado nos EUA. "Hoje, temos a transmissão dos jogos da Liga Americana (NFL) para o Brasil e isso ajuda. Muitos desses garotos já pensam em jogar no adulto e, com este trabalho que está sendo realizado, vão chegar muito bem preparados com 18 anos".
Os treinos da iniciação acontecem às terças e quintas, das 17h às 18h30, e aos sábados, das 10h ao meio-dia, e estão abertos a outros interessados. Já o time adulto, treina também no Sest/Senat, nas terças e quintas, a partir das 23h, e, aos domingos, no Aterro do Lago Igapó, das 15h às 18h.


