Poucos clubes dependem tanto dos resultados dentro do campo como o Londrina Esporte Clube. Segundo o co-gestor Iran Campos, somente com o bom desempenho nos gramados o time vai acender a torcida, arrebanhar o apoio de empresários, pagar suas dívidas.
  Em entrevista exclusiva à Folha, o dirigente projeta o futuro do time e sonha com a Série A do Campeonato Brasileiro já para 2004. Faz críticas ao comportamento da torcida e da comunidade em relação ao LEC. Denuncia a fabricação de ações trabalhistas contra o clube e diz que o objetivo neste Brasileiro é não cair. ‘‘Não queremos iludir ninguém’’, diz.
  Abaixo, trechos da entrevista concedida em uma das salas de reuniões do Hotel Crystal (onde o empresário mora), na área central de Londrina.
Co-gestão
  Sempre procurei ajudar o Londrina, às vezes até extrapolei meus limites. Mas quando firmei a parceria a pedido do presidente Osvaldo Sestário Filho pensei em evitar o que tinha acontecido na Copa João Havelange (em 2000), com aqueles empresários de fora da cidade. Aquilo serviu para mobilizar os abnegados e logo depois, para surgir o Londrina Júnior Team, que é um projeto a longo prazo com o objetivo de realizar um sonho meu: acabar com as dívidas do clube. Hoje estou investindo o máximo que posso (R$ 120 mil, R$ 70 mil de folha salarial) com ajuda de alguns abnegados. Se tívessemos R$ 200 ou 300 mil poderíamos formar um time muito mais forte.
Torcedor
  Na minha opinião, o Londrina merece um público maior nos jogos. Somos sabedores de que o time ainda não inspira tanta confiança assim. Mas não se pode condicionar uma coisa à outra. O torcedor tem que ajudar o Londrina. A vaia não leva a nada. Quem tá dirigindo, está fazendo o que pode. Também sou torcedor, tanto quanto eles. Ainda temos um número de torcedores diminuto. Mas se os resultados vierem, tenho certeza que o torcedor irá comparecer. Esta é nossa realidade.
Calendário 2003
  Se for respeitado o que foi combinado, ou seja, os clubes com investimento um pouco maior dos patrocinadores da Série B – ainda é muito pouco em relação à Série A. No caso do Londrina, fizemos contratos de um ano para manter uma base e contratarmos menos jogadores no próximo ano.
Ivair Cenci
  Ele era um dos últimos nomes da lista e foi indicação do repórter Tatinha (Jairdes Antônio Prata, da Rádio Paiquerê). Como as outras negociações não deram certo, a gente acabou acertando. Estou gostando do trabalho dele. Tínhamos pouco tempo para trabalhar por isso aceitei a sugestão dele de trazer um grupo de jogadores que já estava com ele no primeiro semestre. Até agora ele foi feliz mas a intenção é, aos poucos, qualificar o elenco. Ele foi vaiado injustamente contra a Anapolina. Ele foi corajoso ao tirar um zagueiro e colocar um atacante.
Objetivo
  Temos que ser justo: com a equipe que montamos, nosso primeiro objetivo é permanecer na Série B, que aliás no ano que vem será muito melhor. Posteriormente, como um segundo objetivo, podemos até pensar em classificação para o mata-mata. Não queremos iludir ninguém.
Ajuda externa
  Procurei alguns empresários pessoalmente e ouvi muito ‘‘vou estudar’’. Muita gente pergunta porque a cidade não ajuda o LEC. Eles não ajudam porque não gostam do Londrina com a mesma intensidade que eu, isto é o ponto principal. Nesta semana teremos uma posição mais clara. Isto pode mudar. Está mudando aos poucos. Mas é fundamental o desempenho do time dentro do campo. Eu gostaria que não fosse assim, mas dependemos de resultados para conseguirmos mais ajuda.
Reforços
  Estamos trabalhando com cautela. Nós sabemos a necessidade das contratações, mas estamos em uma fase em que não podemos errar. Ao mesmo tempo, estamos avaliando o grupo que temos. Sabemos que é difícil aprovar todo mundo – um índice de 60% de aproveitamento já é bom. Todos os clubes passam por isso. Estamos disposto a fazer um sacríficio para trazer até mesmo um jogador da Série A.
Londrina Júnior Team
  Estamos investindo R$ 60 mil por mês. Poucos grandes clubes têm a estrutura de alojamento e de alimentação que temos. E a parceria com a UEL dá um suporte científico para a avaliação dos atletas e este é nosso diferencial. O objetivo principal do LJT é abastecer o elenco profissional do Londrina. Em 2005, já esperamos ter uma base formada pelo próprio clube.
Futuro
  Na minha cabeça, projeto chegar na Série A em 2004. Nós pretendemos dobrar o investimento para o próximo ano. No ano que vem a torcida poderá cobrar mais do time.
Dívida
  Vem diminuindo, principalmente a trabalhista, com as penhoras de renda, mas não se sabe ao certo quanto o clube deve. Estimo que esteja entre R$ 3 e R$ 4 milhões. Nossa intenção é usar a parte que cabe ao profissional da receita da LJT toda para quitar as dívidas trabalhistas. O ideal seria um pacto, mas tem muitos credores que não têm interesse. Mas tem muitas ações trabalhistas fabricadas. No momento oportuno, vamos divulgar quem está por trás disso.

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