A notícia do corte na verba do Programa de Formação da Juventude, confirmada pela Fundação de Esportes de Londrina (FEL) na última segunda-feira, gerou uma onda de insatisfação entre os candidatos a convenientes. Eles alegam que a redução dos valores do edital, que chega a 50% na maioria das modalidades, torna o trabalho praticamente inviável. Muitos cogitam até nem se candidatar à concorrência neste ano.
Segundo o que divulgou a FEL, o valor disponível para o Programa de Formação da Juventude – que é destinado às modalidades que vão representar a cidade nos Jogos da Juventude do Paraná (Jojup’s), tratado como prioridade pela administração municipal, e parte integrante do Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos) – para o exercício de 2015 será de R$ 685 mil, praticamente 50% a menos que em 2014, quando a verba total disponível para o programa foi de R$ 1.335.000,00.
Cada projeto aprovado terá R$ 40 mil para desenvolver as atividades ao longo do ano. Badminton, xadrez e rúgbi terão verba um pouco menor: R$ 32,5 mil para os dois primeiros e R$ 20 mil para o último. Em 2014, o valor variou entre R$ 60 e R$ 80 mil. "Com esse valor aí não tem nem como pegar. Quando tinha R$ 80 mil já era complicado de tocar, mal dava para pagar as viagens", reclama o técnico do taekwondo, Fernando Madureira.
O diretor técnico da FEL, Jefferson Del Fraro, diz que o corte é reflexo da diminuição do orçamento da FEL para 2015. "Nós tivemos que trabalhar dentro da nossa realidade orçamentária. Diminuímos o mínimo possível os valores dos projetos, e também alteramos algumas exigências para desonerar o conveniente. Por exemplo, limitamos a faixa etária de atendimento do projeto aos adolescentes em idade de disputar os Jojup’s e acabamos com a obrigatoriedade de manutenção de polos de iniciação esportiva. Isso já reduz os custos de cada projeto", alega. O orçamento total da FEL para 2015 é de R$ 4.196.000,00, quase 30% menor em relação ao ano passado. A pasta ainda conta com um possível aporte que injetaria até 25% a mais nos programas, mas o dinheiro não tem data para sair.
Como alternativa para diminuir os custos dos projetos, a FEL criou outro programa voltado especificamente para a formação, o Iniciação Esportiva, que vai contemplar associações interessadas em trabalhar apenas com jovens de até 14 anos. "A mesma associação que for contemplada com o Programa de Formação da Juventude também vai poder concorrer ao Iniciação Esportiva e isso já aumentaria o valor também", pondera o diretor da FEL. Os valores para o novo programa ainda não foram divulgados.
Mesmo assim, a alteração não agradou aos responsáveis pelas equipes. "A burocracia agora vai aumentar. Com R$ 60 mil conseguia fazer o trabalho da categoria de base e junto com o Sub-17. Agora, com menos, como vamos fazer? Não sei como vai ficar. Se for para ficar com dois projetos, continua tudo na mesma, mas senão você vai ter que pagar, por exemplo, média de R$ 300 por mês para 10 atletas, ao longo de dez meses já dá R$ 30 mil. E aí comissão técnica não recebe, faz por paixão, né? E taxa de arbitragem, viagem, hospedagem?", esbraveja a técnica do futsal feminino, Jayne Borim.
"Por exemplo, uma menina de 15 anos que poderia completar o time, não vai dar mais porque essa atleta vai estar em outro projeto. E montar um elenco com R$ 40 mil é muito difícil. É bem desanimador", continua a treinadora. "Já é duro prestar conta de um, a verba não dá para contratar um contador, por exemplo. Vai complicar ainda mais um negócio que não é fácil fazer", emenda Madureira.
Diferentemente de anos anteriores, a FEL optou por desmembrar o Feipe e vai publicá-lo em dois editais distintos. O primeiro será somente para o Programa de Formação da Juventude, que deverá ser publicado até o final desta semana. A medida é uma tentativa da entidade de ajudar as modalidades a não perderem seus principais destaques, como já aconteceu em anos em que o edital atrasou para ser publicado. O restante do Feipe ainda não tem previsão de publicação.

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