Os gênios Michael Jordan e Magic Johnson cursaram uma faculdade antes de despontarem para o mundo do basquete. O primeiro estudou na North Carolina University e o segundo na Lansing Everett University, em Michigan. Assim como eles, todos os norte-americanos da NBA passam antes pelas universidades, que dão bolsa integral aos atletas e ainda pagam para jogarem pela instituição. O pivô Tim Duncan, do San Antonio Spurs, também estudou psicologia na Wake Forest University antes de se firmar como o melhor jogador da liga americana, o ''MVP'', nas temporadas 2002 e 2003. Mas estes astros nunca precisaram do diploma para ganhar a vida e nem para gerir com sucesso os seus negócios fora de quadra.
Já a realidade do atleta brasileiro é diferente. Aqui, com exceção daqueles que se destacam e acabam faturando uma boa grana com o esporte, os demais precisam garantir outra profissão para cuidar da carreira depois que ''pendurarem as chuteiras''. Por esse motivo, boa parte dos atletas das quadras brasileiras procura fazer uma universidade enquanto ainda está jogando. E a maioria opta pelo curso de educação física, para se manter próximo daquilo que mais aprecia, o esporte. Em Londrina, essa realidade permeia a maioria das equipes chamadas ''de alto rendimento'': os times de handebol (masculino e feminino), futsal (masculino e feminino) e de basquete masculino.
No basquete, alguns dos jogadores do Londrina/TIM na última temporada casos de Ricardo Azevedo, Robson, Ícaro, Charles e Marquinhos dividiam o tempo entre os treinos e as aulas na UEL e na Unopar. A Unopar, aliás, vem sendo parceira de duas modalidades: a ginástica rítmica (GR), mantida pela instituição há mais de 20 anos, e o futsal feminino, da equipe Unopar/Londrina/Grêmio/Sercomtel.
Por meio de um programa de bolsa integral às atletas, cinco meninas do futsal estudam de graça na Unopar há dois anos: Ana Paula, Eliane, Cintia, Caroline e Vivian. As quatro primeiras são alunas da própria técnica do time, Vanda Sanches, no curso de educação física. A treinadora é professora da instituição há 14 anos. Já Vivian estuda desenho industrial. Outra beneficiada com bolsa integral da Unopar é Daiane Lemes, atleta de taekwondo, campeã brasileira universitária.
Ginástica Entretanto, o maior vínculo da universidade é com as ginastas da GR. Segundo a coordenadora de GR e também do curso de educação física da Unopar, Márcia Aversani Lourenço, 30 atletas já se formaram ou ainda estão estudando por conta da instituição. Até as ex-integrantes da seleção brasileira (dissolvida no ano passado) permanecem como bolsistas da Unopar e não pagarão nada até concluírem o curso. É o caso de Thalita Nakadomari, Ana Maria Maciel e Gabriela Andreoli. Da equipe que treinou junta até dezembro, sete cursam educação física, uma estuda farmácia e outra, direito.
''A concessão de bolsas às atletas da GR existe aqui há 20 anos e faz parte de uma filosofia da instituição. Eu mesma me formei e me pós-graduei graças a esse auxílio'', admitiu Márcia Aversani.
O mesmo aconteceu com Camila Ferezin e Dayane Camillo, que foram atletas da seleção, estudaram educação física na Unopar e hoje são técnicas das equipes menores da universidade. A coordenadora lembra que no passado até as meninas das equipes de iniciação ''estudavam de graça'' no Colégio São Paulo (faziam o ensino fundamental e médio), quando este pertencia ao grupo. ''A institutição sempre se sentiu responsável pela formação integral das atletas, enquanto cidadãs e profissionais, por isso acompanhava a educação das meninas desde cedo'', enfatizou Márcia.

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