O futebol brasileiro bateu o recorde de transferência de jogadores para o Exterior nesta temporada. De acordo com levantamento feito pelo departamento de registro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Brasil exportou 381 atletas para 49 países, de dezembro de 1995 a novembro deste ano. Portugal, com 97 contratações, continua liderando a relação dos que investem nos atletas nacionais. O Japão é o segundo (33). A novidade é que os Estados Unidos aparecem à frente do México, com 15 jogadores.
Muitos países que não têm nenhuma tradição no futebol, entre os quais Hong Kong, Indonésia e Cingapura, aparecem com algum destaque na lista. Hong Kong levou quase um time (nove jogadores) e Indonésia e Cingapura, sete cada. A Holanda, que se caracterizou por investir em grandes revelações do futebol brasileiro, como Romário e Ronaldinho, reduziu os investimentos - levou dessa vez apenas um: o centroavante Marcelo, ex-Cruzeiro.
Outros seis países aparecem na lista na mesma posição da forte Holanda, com apenas um brasileiro: Tailândia (Marco Antônio, do Campo Grande), Malásia (André Luís, do Brusque de Santa Catarina), Luxemburgo (José Carlos, Pato Branco, do Paraná), Coréia (Alaor Palácio, do Londrina), Canadá (Rogério Cabral, do Campo Grande) e Finlândia (Jefferson Batista, do Guarani).
A Alemanha, tricampeã mundial, se rendeu ao talento do jogador brasileiro - importou 16. O jogador mais conhecido é Zé Elias, revelado pelo Corinthians, que se transferiu depois da Olimpíada para o Bayer Leverkussen. O entusiasmo não é o mesmo na Itália, que a cada ano aposta menos nos brasileiros - nesta temporada só aparece com cinco nomes. Os negócios entre o Brasil e seus vizinhos sul-americanos no futebol também são modestos. A Bolívia é o país com mais brasileiros em seus times (12), seguida de Peru e Chile, com oito. A Argentina, um dos maiores exportadores de jogadores do mundo, só levou quatro.
A lista revela que muitos países centralizam as contratações em determinados estados, influenciados, provavelmente, por empresários. Cinco jogadores de equipes pequenas do Rio Grande do Sul se transferiram, em junho, para Hong Kong. A Indonésia contratou três mineiros. El Salvador, dos seis que levou, três são paranaenses.
Portugal é o que mais descentraliza seus investimentos no Brasil. Contratou jogadores de 20 estados. Só deixou de fora Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins, Piauí e Maranhão. Dos 97 brasileiros contratados, 18 são do Rio e 15, de São Paulo. O assédio dos portugueses é tão grande que alguns clubes são desconhecidos dos brasileiros e têm nomes exóticos, como Desportiva da Camancha, Castelo da Maia, Santa Marta Penaguião, Sorense e Olhanense.
Os negócios entre portugueses e brasileiros têm mão dupla. Portugal também lidera as transferências para o Brasil: foram 50 nesta temporada, de um total de 177. O México devolveu 22 e o Japão, novo eldorado, 14. Além dos jogadores que foram ‘‘repatriados’’, o Brasil voltou mais seus olhos para jogadores estrangeiros - contratou 18. Os mais conhecidos são o colombiano Freddy Rincon, do Palmeiras, os poloneses Novak e Piekarski, que se destacaram no Atlético-PR, e o sul-africano Mark Williams, do Corinthians.

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