Professor londrinense treinará time italiano
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sábado, 16 de julho de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O técnico de vôlei Ronivaldo Marques de Oliveira, o Fumaça, 37 anos, vai trocar seus 19 anos como treinador e bancário em Londrina por uma vida totalmente diferente na Itália. Professor de educação física e técnico de equipes masculinas da cidade desde 1988, Fumaça na verdade sobreviveu esse tempo todo trabalhando para o antigo Meridional, hoje Banco Santander, onde entrou em 1986 e nunca mais saiu. Sairá, porém, para enfrentar um novo desafio. Em agosto, assumirá o comando do time de vôlei masculino do Círcolo Lavoratori Terni, da cidade de Terni, próxima a Lazio, na região central da Itália.
Para se certificar que o negócio valeria a pena, Fumaça foi antes conferir ''in loco'' as condições de trabalho e as garantias que lhe foram dadas pelos dirigentes. O clube bancou as passagens e ele viajou à Itália no começo de junho para conhecer Terni, pequena cidade de 2.920 anos de existência que emprega quase toda a população em uma indústria do ramo mineral. Assinou contrato com o clube e levará consigo, em agosto, cinco garotos brasileiros de 14 a 16 anos, quatro deles com mais de 1m92, que terão a responsabilidade de ser a base da equipe nos campeonatos italianos Sub-18, Sub-21 e adulto. Fumaça será o técnico das equipes de base e assistente do time principal, que disputa a Série B-1 (terceira divisão) do Campeonato Italiano.
''Como esses garotos competirão nas três categorias, eles farão uns 75 jogos por ano. Lá até os campeonatos de base são organizados'', afirmou o treinador.
Segundo ele, os clubes italianos estão investindo para levar atletas brasileiros e de outros países da América do Sul porque não houve renovação no vôlei masculino da Itália, que já foi campeão mundial na década de 90. ''Os jogadores daquela geração já estão todos com mais de 30 anos e não houve substituição'', comentou.
Em função disso, o nível das categorias de base na Itália ''está muito inferior ao do Brasil'', afirma. ''Eu arrisco dizer que se pudesse ter os garotos da seleção londrinense Sub-17 (que disputará os Jojup's em setembro), ganharia o Campeonato Italiano Under-18''.
O futuro treinador do Círcolo Lavorati explicou que não pode levar à Itália os atletas que já treinam no Canadá e no Grêmio porque são jogadores federados no Paraná. ''Os italianos querem apenas garotos não-federados para que possam começar a jogar imediatamente e para evitar despesas com transferência, uma vez que o clube já arcará com a obtenção de dupla cidadania para os atletas, que custa quase US$ 10 mil'', afirmou Fumaça.
O valor, segundo ele, corresponde a despesas com passagem áerea, gastos com documentação, taxas consulares e permanência de 40 dias com endereço fixo na Itália. Quem cuidará da transferência dos atletas é o empresário londrinense Emerson Oliveira Pinto, o mesmo que tem agenciado jogadores locais de futsal para atuarem na Itália.


