Com o coração dividido, o professor e músico Daniel Bussi, 43 anos, que nasceu na França e mora há cinco anos no Brasil, disse que vai torcer para que a partida entre as duas seleções pelas quartas-de-final da Copa do Mundo seja disputada e com final emocionante. Mas, no final, a preferência pelo país que escolheu para viver vai prevalecer.
''O Brasil é favorito, tem um time mais forte. A França pode até surpreender, mas acho que vou torcer um pouquinho mais pelo Brasil'', confessou. E explica o que o leva a preferir a seleção brasileira: ''Adoro o Brasil, que tem um povo muito acolhedor e muito simpático e que valoriza os estrangeiros.''
Torcedor do Olympique de Marselha, Bussi acredita que a seleção francesa teria mais chance se o atacante Trezeguet fosse titular. Seria uma forma, segundo ele, de evitar o isolamento de Thierry Henry no ataque, o que está prejudicando o desempenho do time de Zinedine Zidane.
Aliás, a vitória da equipe de Zidane sobre a seleção brasileira na Copa de 1998 está bem viva na memória de Bussi. Assim como o triunfo da França de Michel Platini sobre o Brasil de Zico no México, em 1986. Uma equipe que, apesar de contar com craques como Tiganá, Fernandez e Bats, não foi campeã do mundo.
E o palpite sobre o jogo? Um a um, com gols de Ronaldo, de quem é fã, e Trezeguet, e vitória da seleção brasileira nos pênaltis. Mas Bussi diz que tem certeza sobre o que fazer após o jogo. Músico, vai se apresentar no bar Tomate Seco com seu grupo musical, independente do resultado de Brasil e França.
Mas não são todos os franceses que moram em Londrina que vão torcer pelo Brasil. A professora do idioma estrangeiro Elisabeth Dei Ricardi, 52, e o filho dela, Caetano Dei Ricardi, 20, vão apoiar o time de Zidane na partida de hoje.
Nascida em Avignon, Elisabeth diz que não acompanha o futebol, mas deve assistir ao jogo com alunos e professores de sua escola de frânces. ''Estou dividida, mas como represento uma instituição francesa, acho que vou pender um pouco para o lado da França'', declarou.
Morando há 24 anos no Brasil, ela ainda se surpreende com o envolvimento dos torcedores do País com a Copa. Segundo ela, os franceses também gostam de futebol, mas não existe o hábito de parar a nação por causa dos jogos da seleção nacional. ''O fanatismo que tem no Brasil não existe lá. Na Europa é impensável mudar o horário de trabalho por causa de um jogo. E aqui você não tem opção, tem de assistir ao jogo'', comparou.
Mesmo admitindo não ser uma conhecedora de futebol, ela arrisca o placar do duelo: 2 a 1 para o time francês, com gols de Thierry Henry, Zidane e Ronaldinho Gaúcho.
Já o filho dela, que é nascido em Paranavaí, como todo bom brasileiro, gosta e entende de futebol. Torcedor do Palmeiras e do Olympique de Marselha, o professor de francês e estudante universitário Caetano diz que vai torcer pela seleção francesa ''só para criar polêmica.''
''Acho que o Brasil ganha, mas vou torcer por uma vitória da França, por 1 a 0, com gol do Vieira'', arriscou. Ele disse ainda que vai se reunir com amigos para ver o jogo. E que os colegas sabem que ele vai torcer pela França. ''Não tem problema com eles. Só sei que qualquer que seja o placar, vou me divertir'', concluiu.

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