Assim como milhões de brasileiros, o professor do departamento de Bioquímica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Robert Dekker, 61 anos, vai se vestir de verde e amarelo neste domingo para acompanhar o confronto entre Brasil e Austrália. Mas, ao contrário dos outros milhões de brasileiros, Dekker torcerá pela seleção australiana.
Dekker nasceu em Perth, no Oeste da Austrália e, mesmo morando no Brasil, tem três prioridades antes de torcer pelos gols canarinhos. Em primeiro lugar, está sua terra natal. Depois, os países dos pais dele. O pai é holandês e a mãe é alemã. ''Se os três forem eliminados, aí é que vou torcer pelo Brasil'', contou Dekker.
Durante a entrevista, o professor confessou que não é muito fã do ''soccer'', o nosso futebol. Na Austrália, existem mais três modalidades: o futebol australiano, o rugby league e rugby union. Ele confessou que prefere o futebol australiano, esporte número 1 no país, parecido com o rugby. ''Meu filho me manda toda a semana DVDs de jogos'', afirmou.
A única vez que Dekker viu a Austrália em uma Copa do Mundo foi há 32 anos, coincidententemente na Alemanha. ''Ficamos tanto tempo fora das Copas por razões políticas. Mas agora vamos receber muitos imigrantes brasileiros e argentinos para jogar futebol. É o que os europeus fazem com os velocistas negros'', analisou.
Torcedor do Flamengo, o professor nunca foi a um estádio de futebol no Brasil. Prefere acompanhar seu time pela televisão. ''É muito perigoso ir no campo'', comentou.
Apesar do favoritismo brasileiro e da falta de tradição australiana, Dekker espera um jogo difícil para os comandados de Carlos Alberto Parreira. ''Vai ser um jogo competitivo. A Austrália gosta muito de desafios e o Brasil é um desafio. A Austrália não tem nada a perder'', disse, mostrando uma previsão de resultado anotando num pedaço de papel. ''Austrália faz 1 a 0 aos 43 minutos do primeiro tempo, o Brasil empata aos 5 do segundo, faz 2 a 1 aos 23 e a Austrália empata aos 47'', arriscou. ''Se der isso, estamos classificados'', concluiu.
Se ele aposta no empate no jogo, em um quesito Dekker reconhece a supremacia brasileira. ''A Austrália é bem parecida com o Brasil. Todo mundo gosta de esporte, de beber cerveja, mas a vantagem do Brasil é que aqui tem mais mulheres bonitas do que lá''.

mockup