Procuradoria quer explicações sobre contas da CBF
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Silvio Barsetti 
Rio, 11 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) vai requisitar informações ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a ação fiscal que o instituto promoverá nas contas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O MPF quer explicações sobre denúncias de sonegação fiscal e da existência de notas fiscais frias, de empresas fantasmas, para justificar a saída de dinheiro da CBF. "Se alguma dessas irregularidades for confirmada, o MPF tomará providências no âmbito criminal contra a CBF", afirmou o procurador Carlos Alberto Gomes Aguiar. Ele adiantou que a Coordenadoria do MPF, no Rio, poderá determinar o acompanhamento do trabalho dos fiscais do INSS na CBF.
O diretor-financeiro da CBF, José Carlos Salim, foi enfático hoje ao dizer que a entidade não tem caixa 2 e mantém suas contas com regularidade. "Pagamos todas as nossas contas com cheques nominativos por despesas efetivamente realizadas", declarou. "Qualquer insinuação em contrário é absurda e não procede." Salim disse que a confederação não criará obstáculos para a ação dos fiscais do INSS que vão investigá-la. "Apresentaremos todos os documentos."
ESCLARECIMENTO - Salim afirmou que a CBF não recolherá 5% do contrato com a Nike ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), baseada em parecer da PIS-Contax, empresa que trata das contas da entidade. Na quarta-feira, o superintendente do INSS do Rio, Paulo César Nascimento da Costa, disse ao Estado que o não recolhimento da taxa de 5% de supostos contratos de patrocinadores com a CBF representaria sonegação fiscal. Hoje, no entanto, a assessoria de Costa informou que a CBF, por não ser uma associação esportiva que mantenha equipe de futebol profissional, está desobrigada de debitar ao instituto um porcentual de seus contratos com patrocinadores.
A CBF informou que o balanço das contas da entidade, referentes a 1998, foi distribuído para todos os presidentes de federações e explicou algumas despesas que, somadas, resultaram num prejuízo de mais de R$ 15 milhões no ano passado. No item "material esportivo" os gastos alcançaram R$ 399.864,27. Esta quantia, segundo a CBF, refere-se, em parte, às escolinhas de futebol que a entidade mantém em 495 municípios do País, atendendo a uma média de 150 mil crianças. A despesa com estacionamento - de R$ 29.985,00, em 1998 -, é creditada a oito vagas a que tem direito a CBF no centro do Rio. Cada uma sai por R$ 312,35 por mês.


