São Paulo - O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, disse ontem que o Náutico pode ser punido pela confusão na tarde do último domingo, no estádio dos Aflitos, envolvendo zagueiro botafoguense André Luiz e dirigentes do clube carioca com a polícia do Recife.
O tribunal alega que o clube pernambucano tem que assegurar a segurança do evento. ''A intervenção da polícia foi truculenta e desnecessária, tratando atletas e dirigentes do Botafogo como se fossem marginais. O clube (Náutico) deve responder, vai estar em curso nos artigos 211 e 213 e pode perder mando de jogos e pagar multa'', disse Schmitt. ''A responsabilidade de segurança é do clube mandante, e vamos responsabilizá-lo'', continuou.
André Luiz foi expulso aos 37 minutos do primeiro tempo e deixou o gramado ofendendo torcedores da equipe rival. Na saída para o vestiário, ele se desentendeu com policiais, dando início a uma confusão que deixou a partida paralisada por mais de dez minutos. No tumulto, o defensor tentou sair de campo pelo vestiário do Botafogo, que estava trancado.
A polícia o retirou, imobilizando o jogador, por um acesso da torcida do Náutico, que chegou a atirar objetos no atleta. O zagueiro e o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, foram levados para uma delegacia para prestarem depoimento por desacato a autoridade.
O Náutico se defendeu e disse ontem que não pode ser responsabilizado pelos incidentes, além de minimizar a ação da polícia. ''O Náutico não tem responsabilidade pelo que aconteceu. Em nenhum lugar do mundo o clube é responsabilizado pela segurança pública'', disse Maurício Cardoso, presidente do clube. ''A Policia Militar cumpriu a sua parte, fazendo a segurança. Ele (André Luiz) estava totalmente descontrolado, a confusão toda foi causada por ele'', continuou.
Após a partida, o Botafogo divulgou uma nota oficial criticando severamente a postura da polícia pernambucana no caso. ''A expulsão do zagueiro André Luiz e sua discussão com torcedores adversários na saída do gramado deflagrou uma atuação lamentável da polícia pernambucana, que abusou da violência, agrediu jogadores, interrompeu a partida e culminou na detenção do zagueiro alvinegro e do presidente do clube Bebeto de Freitas, que desceu do camarote do estádio dos Aflitos às pressas para socorrer seu atleta'', diz um trecho do comunicado.

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