O volante Renato, do Atlético (PR), foi denunciado ontem pelo procurador do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol, Carlos Marinoni. Renato foi enquadrado no artigo 281 do Código Brasileiro Disciplinar do Futebol, que trata da falsificação em parte ou total de documentos. O jogador poderá, no entanto, ter que cumprir pena alternativa, como doar cestas básicas a entidades assistenciais e prestar serviços à comunidade.
A denúncia foi feita porque Renato, que na verdade se chama Cleonício dos Santos e tem 22 anos, adulterou documentos para se chamar Renato Albuquerque, de 19 anos, e poder jogar no ano passado pelo Foz do Iguaçu no Campeonato Paranaense de Juniores. Renato Albuquerque é um conhecido de Cleonício e a falsificação dos documentos foi feita em Campo Grande (RJ), onde o volante morava antes de se transferir para o Foz e, posteriormente, para o Atlético.
Segundo Marinoni, a pena prevista pelo artigo 281 é a suspensão de 180 a 360 dias. Apesar disso, o procurador interpretou a irregularidade cometida por Renato como uma alternativa para conseguir emprego e sugeriu em seu parecer, entregue ontem no TJD, uma pena diferente. ‘‘Ele cometeu a infração porque queria trabalhar. Não chegou a prejudicar terceiros. Por isso, sugeri que a pena poderia ser a prestação de serviços à comunidade’’, explicou.
O presidente do TJD, Ítalo Tanaka Junior, vai estudar o processo para concordar ou não com a sugestão da pena alternativa feita pelo procurador. Se estiver de acordo, intimará o volante a se pronunciar sobre a denúncia. Caso Renato não aceite a pena, deverá ser levado a julgamento, ainda sem data prevista. Se aceitar, o caso fica encerrado.
Ítalo explicou ainda que, junto com a pena alternativa, Marinoni sugere a suspensão temporária do processo. Isto quer dizer que, de 2 a 4 anos, o jogador não poderá cometer nenhuma infração, sob pena de aí então ser levado a julgamento. Passado esse período, se o jogador não for mais a julgamento, o caso se extingue e Cleonício é tido como inocente.
Cleber - Um possível final do caso Cléber ganhou um novo prazo. A diretoria do Coritiba esperava para ontem uma solução, mas agora passa a acreditar que até sexta-feira o caso esteja resolvido. Quem garante é o vice-presidente Jurídico do clube, Guido José Dobeli.
Dobeli e o presidente do alviverde, João Jacob Mehl, estiveram reunidos ontem com o diretor do Departamento Jurídico da Confederação Brasileira de Futebol, Carlos Eugênio Lopes, que é o responsável pela resolução do problema. Segundo Dobeli, Eugênio explicou que a ordem judicial enviada pela juíza da 8ª Vara de Conciliação e Julgamento, Sandra Maria da Costa Ressel, está tramitando na CBF.
A ordem judicial revoga a liminar dada para Cléber poder trabalhar e tudo o que aconteceu depois da liminar, ou seja, o contrato do jogador com o Atlético poderia ser automaticamente suspenso. ‘‘Como não se trata de um caso simples de registro ou baixa, Carlos Eugênio nos explicou que vai demorar um pouco, mas acreditamos que até sexta-feira possa estar resolvido’’, disse Dobeli.
O vice-presidente Jurídico disse, no entanto, que Carlos Eugênio não deu a entender que a solução será favorável nem que será contrária ao Coritiba. ‘‘Ele apenas nos informou que vai demorar um pouco, mas não quis adiantar nada sobre que rumo o caso vai ter’’.
Cléber estava sem jogar na Espanha quando entrou com ação na Justiça do Trabalho, em Curitiba, pedindo sua liberação para jogar no Atlético. A liminar foi concedida e ele assinou contrato com o clube. Antes de estrear, o Coritiba comprou o passe do jogador. Agora, o Coritiba espera que o contrato de Cléber com o rubro-negro seja cancelado para que possa registrá-lo para o Brasileirão.

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