Procon multa Atlético, FPF e CBF por morte
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2004
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Atlético pode ser multado em até R$ 100 mil e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), assim como a Federação Paranaense de Futebol (FPF), também podem ter que pagar R$ 50 mil cada, caso sejam responsabilizados pela morte de Eduardo Michel Domingues de Oliveira, de 19 anos, na Arena da Baixada. O jovem morreu no hospital dias depois de cair no fosso que fica próximo ao campo do estádio, na partida entre o Furacão e o Botafogo, no dia 19 deste mês.
O Procon-PR estipulou ontem uma multa cautelar para as entidades que organizam o Brasileirão, a CBF e a FPF, e para o Atlético, responsável pela Arena da Baixada. A notificação foi baseada no Estatuto do Torcedor e no Código de Defesa do Consumidor. ''O Atlético receberá a punição maior porque era do clube o mando de jogo e a responsabilidade pelas obrigações de segurança no estádio'', afirmou ontem o coordenador do Procon-PR, Algaci Túlio.
O presidente da FPF, Onaireves Moura, disse ontem que a entidade não pode ser notificada e vai recorrer da multa, pois entende que o episódio foi uma fatalidade causada pela imprudência do torcedor. ''A federação faz vistoria dos estádios com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, como foi feito na Arena naquele dia. Acho que houve excesso de confiança do torcedor, que subiu num local que não era para subir. Vou receber a notificação e é lógico que vamos recorrer porque a federação não tem culpa'', disse ontem o dirigente.
Tanto a CBF quanto Atlético só devem falar a respeito depois que as notificações, expedidas pelo Procon-PR na tarde de ontem, chegarem ao departamento jurídico da entidade e do clube. A partir daí, ambos devem recorrer da multa cautelar e a diretoria do Rubro-Negro terá dez dias para reunir provas que comprovem sua inocência, como o borderô da partida, as cópias dos contratos de empresas de segurança, cópia da perícia na Arena da Baixada, entre outros. Na sequência, a Defesa do Consumidor vai analisar o material.
Família - O pai de Eduardo, Odair Alves de Oliveira, ainda abatido, preferiu não falar sobre o caso. ''Vamos esperar um pouco, não quero falar agora. Nós vamos esperar para ver o que vamos fazer'', disse ontem Oliveira, que deve entrar com uma ação contra o clube.
Oliveira procurou o Procon-PR para saber de seus direitos e, ao contrário do que o Atlético alega, teria afirmado que não vem recebendo auxílio algum do clube. O coordenador do Procon-PR, Algaci Túlio, disse que Oliveira já teria um advogado para processar o Rubro-Negro na Justiça comum.
Eduardo subiu numa grade de proteção, entre as arquibancadas e o campo, no dia 19 de deste mês, na partida final do Atlético no Brasileirão, contra o Botafogo, na Arena da Baixada. O jovem caiu no fosso do estádio, de uma altura de 4,5 metros, e sofreu traumatismo craniano. Às 6h15 do dia 22, o rapaz não resistiu e morreu no Hospital Cajuru, em Curitiba.


