Johannesburgo - Às vésperas de decidir uma vaga na semifinal da Copa da África do Sul contra o Brasil, a seleção da Holanda volta a conviver com um fantasma que, no passado, já ajudou a jogar por terra boas campanhas em competições importantes como Mundial e Eurocopa: problemas de relacionamento entre os jogadores. Desta vez, não são brancos contra negros, até porque estes têm pouca importância na equipe atual. A desavença é entre duas estrelas do time, o atacante Van Persie e o meia Sneidjer.
Não é a primeira vez que os dois se estranham. O técnico Bert Van Marwijk foi obrigado a intervir para tentar ''cortar o mau pela raiz'' e colocou os dois jogadores frente a frente na noite da última segunda-feira, horas depois da vitória sobre a Eslováquia, para apararem as arestas.
Foi Van Persie quem começou a encrenca dessa vez, ao ser substituído aos 35 minutos da etapa final da partida contra os eslovacos. Ele não gostou de sair e questionou o treinador. ''Não era a mim que devias tirar'', disse. Mas, segundo a rede de TV holandesa NOS, o atacante que jogo no Arsenal falou mais: ''Era o Sneidjer''.
Van Persie nega. Garante não ter falado nome algum e não confirma o teor do que falou ao treinador - a TV assegura que as palavras foram aquelas após utilizar o recurso da leitura labial. ''O que eu disse não tem importância. Fiquei chateado ao sair porque não venho fazendo gols (marcou só uma vez até agora na Copa), isso me abala e também porque acredito que poderia aproveitar os espaços que a defesa adversária estava nos dando'', justificou.
Sneijder preferiu o silêncio, pelo menos por enquanto. Mas o maior indício de que foi o alvo de Van Persie é que o treinador exigiu que os dois se acertassem - ou ao menos fizessem um armistício. ''Fiz isso para colocar um ponto final nesse assunto e assim podermos nos concentrar no jogo com o Brasil'', disse Van Marwijk nesta terça.
Os dois jogadores não se bicam há tempos. Durante a Eurocopa de 2008 (disputada na Áustria e na Suíça), por exemplo, brigaram porque ambos queriam cobrar uma falta no jogo contra a Rússia.
Van Marwijk havia dado a entender que há problemas de relacionamento entre os jogadores holandeses dois dias antes da partida contra a Eslováquia. Na ocasião, ao ser questionado sobre a união do elenco, revelou a iniciativa que teve quando assumiu, em 2008, após a Eurocopa, no seu primeiro encontro com os jogadores. ''Não é preciso ter amigos verdadeiros no time, mas é preciso aceitar as qualidades dos outros e respeitá-las. Só assim é possível ser um time realmente bom'', disse o técnico a eles.
Até esta segunda, entendia estar tudo sob controle. O que parece certo é que Van Persie não vai sofrer nenhum tipo de retaliação do técnico por ter se insurgido. ''Todo jogador que é substituído fica chateado. É normal'', justificou Marwijk recorrendo a um lugar-comum. O experiente volante Van Bommel também não vê motivos para esticar o problema. ''Robin (Van Persie) joga num posição difícil, que é o centro do ataque. Com isso, tem altos e baixos em um jogo, mas confiamos nele, é importante para a equipe''.

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