Prisão de presidente pode afetar desempenho do Grêmio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - Torcedores, dirigentes e autoridades ligadas ao futebol estavam ontem apreensivos com as consequências da prisão do presidente do Grêmio Maringá, Aurélio Almeida. O time é líder da Seletiva paranaense da Série C do Campeonato Brasileiro e está garantido na fase classificatória, mas pode ruir porque o presidente é considerado o ''homem do dinheiro'' do clube. A previsão da crônica esportiva de Maringá é de que se Almeida ficar 15 dias preso, será difícil garantir a sobrevivência do Galo.
O Grêmio Maringá foi vendido a troco de dívidas calculadas em R$ 190 mil e se transformou em uma empresa de sociedade civil. Até a semana passada, os jogadores estavam sem receber salários há três meses. Ontem, o atraso se referia apenas ao mês de maio.
Para o secretário municipal de Esportes, Mário Verri, a situação é de fato complicada. ''Vamos esperar o desenrolar desta história e ver que tipo de satisfação o presidente do clube irá dar para todos nós'', disse.
Verri acompanhou todas as reuniões da antiga diretoria que resultaram na venda do Grêmio ao empresário Aurélio Almeida, que também comanda o Toledo, time que disputa a Série A-1 do Campeonato Paranaense, por meio da empresa Império do Futebol. ''A princípio, todas as coisas que haviam sido combinadas quando da compra do Grêmio o Aurélio cumpriu e só não sabemos o que irá acontecer a partir de agora com o nome do time'', afirmou o secretário.
Para o jornalista esportivo Cláudio Viola, que há mais de 12 anos acompanha as idas e vindas do Galo, a prisão do presidente do clube representa uma das situações mais ''bizarras'' no histórico do Grêmio Maringá. ''É certo que a credibilidade do time está afetada, a questão é o que irá acontecer agora'', questionou.
Apesar do clima de apreensão, os jogadores treinaram ontem normalmente para um amistoso no próximo domingo contra o Cianorte.
Almeida foi preso no final da tarde de terça-feira no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Segundo os dirigentes do clube, Almeida iria embarcar para Barcelona para negociar jogadores e receber dívidas atrasadas de um clube espanhol. O presidente também negociava a venda de dois volantes do Galo, Fábio Gomes e Kulmann para uma equipe do México. Os dois jogadores já viajaram para o México e passam por avaliações físicas.
A versão oficial da prisão do presidente é de que ele foi condenado em um processo por estelionato em Chapecó (SC). Almeida, no entanto, declarou por telefone ontem pela manhã, para amigos em Maringá, que sofre duas ações na cidade catarinense, uma por danos morais e outra para pagamento de pensão alimentícia, ambas propostas por uma ex-namorada com quem teve uma filha. Os advogados vão entrar hoje com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça em Florianópolis, porque a mesma medida foi negada em Chapecó.


