Acostumada a ser recepcionada por fãs calorosos, a Seleção Brasileira começou a sentir o desdém australiano pelo futebol. O primeiro treino do time nacional no país da Olimpíada foi acompanhado por um único torcedor, perdido em um estádio com com capacidade para aproximadamente 15 mil pessoas.
Filho de croatas que migraram para a Austrália, o estudante Daniel Gecic, 17, chegou cedo ontem ao Carrara Sport Complex, próximo ao hotel onde estão hospedados os brasileiros, em Gold Coast. Sem ter uma camisa da seleção, vestia azul, uma roupa parecida com o uniforme reserva.
Carregava uma bola, com a qual ficava vez por outra fazendo malabarismos para chamar a atenção de alguém do Brasil – em vão. ‘‘Adoro o futebol de vocês, mas não conheço ninguém desses que estão aí. Tem algum bom?’’, perguntou à reportagem, apontando para os 12 atletas que faziam treino físico no gramado.
Os 12 jogadores se limitam a treinar fisicamente e não vêm a hora de participar de um coletivo. Esse tipo de treinamento só será possível depois da chegada de Wanderley Luxemburgo e dos seis jogadores restantes.
Do time, o garoto só sabe de Ronaldinho e Alex, que estão com a seleção principal e só chegam à Austrália no dia 5 de setembro. ‘‘Está vazio porque ninguém está sabendo. Não foi avisado que o Brasil viria. Eu só soube porque a minha mãe trabalha no hotel onde eles estão. Mas a forma como tratam o futebol aqui é estúpida. Só treinamos duas vezes por semana’’, disse Daniel, atacante do Carrara, um dos poucos times de futebol de Gold Coast.
Insatisfeito com essa realidade, ele planeja viajar para a Croácia em dezembro, para tentar se profissionalizar no esporte. ‘‘Vim aqui para olhar, aprender. Queria ver o Denílson, pegar uma camisa dele. Achava que ele viria’’, lamentou o croata, que disse torcer pelo Palmeiras. ‘‘Gosto de Rivaldo, Roberto Carlos e Alex.’’

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