Primeira vitória de Émerson completa 30 anos
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terça-feira, 03 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Há muita gente no automobilismo que diz que se o Brasil revelou talentos como Ayrton Senna e Nelson Piquet, entre outros, é porque contou com o pioneirismo e a competência de Émerson Fittipaldi (foto) nas pistas internacionais. Hoje, faz exatamente 30 anos que Émerson conquistou, em Watkins Glen, nos Estados Unidos, a primeira vitória do País na Fórmula 1, com a lendária Lotus 72.
Hoje, o Brasil coleciona 80 vitórias na F-1 e oito títulos mundiais, dois com Émerson, três com Piquet e outros três com Senna. A última prova de Émerson na Fórmula 1 foi em Watkins Glen, dez anos depois da primeira vitória, no dia 5 de outubro de 80, com um carro construído por ele próprio. Em 84, Émerson seguiu para os EUA. Em 89, era campeão da F-Indy.
Na edição de 5 de outubro de 70, um dia depois de Émerson vencer seu primeiro GP de F-1, o New York Times deu a manchete: Émerson who? won the US Grand Prix (Émerson quem? ganhou o GP dos Estados Unidos). Também escreveram que eu ganhei US$ 50 mil em dinheiro, conta Émerson. Depois da prova, fui para um hotel pequeno e barato em Nova York; como o porteiro me reconheceu, eu e a Maria Helena dormimos duas noites com o armário atrás da porta, com medo de assalto.
No dia seguinte ao da conquista, Émerson não sabia o que pensar. Passei da tragédia na corrida anterior, em Monza, para a consagração e a glória nos Estados Unidos. No GP da Itália, o austríaco Jochen Rindt, companheiro de Émerson, morreu na sessão de classificação, na veloz curva Parabólica. Tomei café da manhã com o Rindt e pouco depois ele estava morto; foi um choque para mim, que estava iniciando a carreira.
Colin Chapman, dono da Lotus, desistiu de participar do GP do Canadá, a prova seguinte, para reforçar o modelo 72 com que Rindt se acidentara. Assumi a condição de primeiro piloto de um dos melhores times do Mundial tendo disputado apenas três corridas, lembra Émerson. O GP dos EUA foi o primeiro da Lotus após a perda de Rindt.
Outro episódio colaborava para Émerson estar apreensivo: o acidente sofrido em Monza, um dia antes da morte de Rindt. Foi seu maior susto em 144 GPs. Na reta de acesso à Parabólica, fiquei olhando pelo retrovisor e me esqueci de olhar para a frente. relata. Quando me dei conta, já havia passado o ponto de freagem. A Lotus passou sobre o guard-rail e ficou pendurada numa árvore. Por muita sorte ele não se feriu. Era a primeira vez que Émerson acelerava o modelo 72, o mais avançado da F-1, igual ao de Rindt.


