Falar que o melhor remédio para as lesões é a prevenção já é clichê. Mas nunca é demais usá-lo. Um dos motivos para a ocorrência de problemas nos joelhos de atletas ou de quem pratica esportes é a falta de atenção a ações simples, que ajudam a prevenir e podem evitar futuros problemas.
A musculatura é uma espécie de anjo da guarda do joelho e de sua estrutura. Deixá-la de lado é pedir para entrar para as estatísticas. ''A prevenção é feita com atividades funcionais, fortalecimento e estimulação ao equilíbrio corporal, noção de espaço, velocidade e ritmo'', ressalta o fisioterapeuta Nelson Shirabe, da Unopar Londrina/Sercomtel, ex-presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe) e diretor da Sociedade Sul-Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica (Sulbrafito).
Ele também acredita que, além da falta de prevenção, o exagero em treinamentos é vilão dos joelhos. Mas o fisioterapeuta aponta para a falta de estrutura adequada para treinos e competições como fundamental para aumentar os índices de lesões. ''Temos um problema sério na cidade que é a falta de quadra. Os atletas do handebol e futsal sofrem muito com isso, o que faz com que aumente a incidência de lesões. No atletismo, está ocorrendo muitos casos de desgaste de cartilagem por causa da intensidade do treinamento e impacto com o solo. Tenho muitas pacientes assim e o pior é a idade deles: todas na faixa dos 18 anos'', lamentou Shirabe.
O fisioterapeuta ressalta que a recuperação no pós-operatório é fundamental para que o atleta volte a ter um desempenho satisfatório depois de passar por uma artroscopia para reconstrução de ligamentos. ''Em termos mecânico, o ligamento pode até ficar mais forte que o natural, mas depende muito do período de recuperação, em média de seis meses. Essa recuperação envolve a fisioterapia, o condicionamento físico, o fortalecimento muscular, a capacidade respiratória e cardiovascular'', destaca.
A supervisora de Fitness da Academia Gustavo Borges, a maior de Londrina, Silviane Moreira, conta que muitos de seus alunos procuram o treinamento justamento como parte da recuperação pós-cirúrgica. ''Aparece muito jogador de futebol de final de semana já lesionado ou então em recuperação após cirurgia de ligamento cruzado anterior'', conta Silviane, que vê frequentemente exageros nos treinamentos. ''A gente orienta sobre a adequada execução dos exercícios para o aluno não se machucar. Montamos o treino, o programa de musculação, mas o pessoal não alonga. Os atletas têm sempre que extrapolar os seus limites por conta dos resultados. Com o aluno normal, a gente pega no pé para fazer o alongamento para dar flexibilidade'', diz. (T.M.)

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