O mais novo brasileiro a integrar o time de pilotos na Fórmula 1 é o curitibano Ricardo Zonta, de 22 anos. Zonta inicou a carreira no automobilismo aos 11 anos pilotando kart - e obteve a vitória já na primeira corrida. De lá para cá, conseguiu vários títulos importantes. O último, foi o de campeão do Mundial de Gran Turismo (GT), este ano. Piloto de testes da MacLaren, ele foi ‘emprestado’ para a British American Racing (BAR), ex-Tyrrel, a mais nova equipe de Fórmula 1.
Ainda sem conhecer o carro, que ainda está sendo construído pela equipe, Zonta assinou com o time há mais de um mês. Ele conta que está vivendo um sonho, mas confessa que ainda não conseguiu assimilar esta conquista. ‘‘Acho que só quando estiver no grid de largada é que vou me dar conta do que estou passando’’, diz. Os primeiros treinos com o novo carro foram realizados esta semana na Espanha. Zonta terá como companheiro de equipe o canadense Jacques Villeneuve.
Para correr pela BAR, o piloto não terá que pagar nada, porém também não receberá salários. ‘‘No contrato que firmamos, consta que todas as minhas despesas serão custeadas pela equipe’’, explica. Zonta conta que já conseguiu fazer alguns amigos no circo da Fórmula 1, mesmo estando há tão pouco tempo em contato com os pilotos. ‘‘Gostei do Coultard e do Barrichello’’, diz. ‘‘Eles foram bem legais comigo.’’
Solteiro e sem namorada, quando não está rodando pelo mundo, Zonta mora com os pais Joanim e Rosa, em Curitiba. De férias na cidade, ele atendeu a Folha à beira da piscina do condomínio onde mora. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Folha -Qual é o seu principal hobby?
Ricardo Zonta - Gosto muito de sky aquático.
Folha - Você gosta de ler?
Zonta - Não! Dificilmente leio algo, prefiro os filmes.
Folha - Quais os últimos filmes que você viu e de que gostou?
Zonta - Cidade dos Anjos e Titanic.
Folha - E música? O que você tem ouvido?
Zonta - Aerosmith.
Folha - Qual seu principal sonho?
Zonta - Me realizar profissionalmente.
Folha - Como foi ganhar o Gran Turismo?
Zonta - Foi a conquista de um desafio. No começo a equipe não confiava muito em mim. Eu pedia para eles fazerem um acerto aqui outro ali e eles mal me escutavam. Mesmo assim os bons resultados apareceram. A partir do segundo semestre a coisa mudou e eles passaram a me respeitar, e daí foi só alegria.
Folha - Cite um momento mágico e outro trágico de sua carreira?
Zonta - O mágico aconteceu em Silverstone, enm 1997, quando eu corria pela Fórmula 3000. Chovia muito e meu carro estava preparado para o tempo seco. Eu liderava a corrida de ponta a ponta sempre seguido por uma fila de carros que estavam preparados para o tempo seco. Ganhei aquela corrida no braço. O trágico aconteceu em Curitiba, em 1993, quando eu corria pela Fórmula Chevrolet. Larguei em último e fiz uma corrida de recuperação. Quando estava em segundo lugar eu não conseguia ultrapassar o líder da prova por pura falta de experiência. Foi trágico. Tinha máquina mas não tinha braço.
Folha - Você acredita em Deus?
Zonta - Sim, muito. Vou sempre na igreja católica quando estou fora. Aqui no Brasil é meio difícil.
Folha - E como é Deus para você?
Zonta - O meu Deus anda comigo, dentro do carro, na minha casa, enfim, é um verdadeiro companheiro.
Folha - E como é seus pais? Eles gostam do automobilismo?
Zonta - Meu pai adora. Foi ele quem me incentivou e me patrocinou. Quando pode ele sempre acompanha as minhas corridas. Já a minha mãe não assiste. Fica em casa rezando e acendendo velas.
Folha - Você tem alguma superstição antes das corridas?
Zonta - Sim, várias. Se eu faço a pole num dia, no outro visto a mesma roupa. Sempre entro e saio do carro com o pé direito. Quando um concorrente me deseja boa sorte eu digo: ‘Igualmente’.
Folha - Qual é a expectativa para o próximo ano?
Zonta - Pelo menos pontuar no campeonato. Acho que o carro vai ser muito bom, sei que tem uma mecânica boa, enfim, quero entrar para fazer história. Espero que consiga.

mockup