Pressão sobre Ronaldinho preocupa o Grêmio
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 26 (AE) - Sem marcar há três jogos, Ronaldinho Assis pode quebrar o jejum amanhã (27) diante do Corinthians, jogo pela Copa Mercosul. Mas a falta de gols preocupa menos o Grêmio do que a pressão sobre o craque da Copa das Confederações. Criou-se uma expectativa irreal de que se Ronaldinho não aplicar um chapéu no adversário e fizer gol de placa, sua atuação terá sido insatisfatória. O técnico Celso Roth é uma das pessoas que mais se preocupa com este grau elevado de exigência, mesmo para um jogador muito talentoso.
"O Ronaldo foi bem", avaliou Roth no final da vitória de 1x0 sobre o Vélez Sarsfield, hoje, pela Copa Mercosul, no estádio Olímpico. Observou que o jogador cumprira todas as suas determinações.
Mas ao deixar o campo, Ronaldinho foi logo dizendo aos repórteres.
"Não fui bem, não fui bem". Sua irmã, Deise, de 24 anos, que faz um pouco o papel de secretária do irmão, reconhece que "ele é muito autocrítico".
No jogo, sofrendo marcação severa, o atacante era cercado tão logo tocava na bola. O gol foi de Macedo. Só aos 21 minutos do segundo tempo, Ronaldinho conseguiu fazer uma jogada de encher os olhos.
Recebeu um passe, entrou na área do Vélez, driblou dois zagueiros e colocou na saída de Chilavert. A bola foi para fora. O próprio Chilavert, indagado sobre Ronaldinho ao final da partida, elogiou seu potencial e sugeriu que deixassem o jovem jogador em paz.
É Deise quem conta que nada mudou na vida do craque gremista depois de seu retorno da Seleção Brasileira. "São os mesmos amigos, os mesmos hábitos", descreve. Ronaldinho continua ouvindo Cds de pagode e reunindo suas amizades para fazer churrasco na casa em que mora com Deise e com sua mãe, dona Miguelina, no bairro Guarujá, na zona Sul de Porto Alegre. Nem a colocação de um aparelho para correção dos dentes pronunciados saiu da etapa dos planos. "Quase sempre o dia dele é da concentração para casa e da casa para a concentração", testemunhou Deise. Tampouco arranjou uma loura ou comprou uma Ferrari. "Ele não tem namorada e o carro continua o mesmo, um Fiat Marea", citou.
No Grêmio, suas relações são boas. "Ele é super querido por todo mundo", conta um funcionário. Bem-humorado, Ronaldinho relaciona-se bem com todos os jogadores mas, pela faixa etária e a convivência na Seleção Brasileira Sub-20, conversa mais com o atacante Rodrigo Gral e o volante Gavião. Outro amigo do peito, o meia Paulo César Tinga, seu parceiro de passeios nos shoppings
está no Frontale Kawasaki, do Japão, e volta somente no final do ano.
O que mudou mesmo foi sua agenda, organizada por Deise. "Está tomada até o dia 8 de setembro", conta a irmã. Nesta semana, Ronaldinho, por exemplo, gravou no Olímpico o programa Su-Real, da Sportv, com a ex-namorada do outro Ronaldo, o da Inter, Suzana Werner.
E deu entrevista ao jornal francês France Football e à TV francesa LÉquipe. O jogador continua negociando um reajuste com o clube e virou garoto propaganda da Pepsi.
No primeiro jogo depois de sua volta -- Grêmio 2 x Independiente 0, pela Copa Mercosul -- Ronaldinho fez o primeiro gol, em cobrança de falta, e deu o passe para o segundo, de Magrão. Repetiu a dose nos 2x0 contra o Vitória, já pelo Brasileiro. De novo, marcou o primeiro, de pênalti, e cruzou para o segundo, mais uma vez de Magrão.
Nos três últimos jogos, foi discreto diante do Vasco (0x0), do Juventude (1x1) e do Vélez Sarsfield (Grêmio, 1x0).


