Atenas - Nada de descanso após um dia de bons ventos e resultados no mar. Antes de celebrar a liderança na classe laser, Robert Scheidt vislumbra o futuro e faz contas.
Motivo: hoje, ele leva seu barco à água pela última vez na Olimpíada. E em situação privilegiada na luta pelo ouro.
Com o sétimo e o terceiro lugares que obteve nas provas de sexta-feira, Scheidt precisa apenas de uma nona colocação na última etapa para ocupar o degrau mais alto do pódio em Atenas.
Nas dez regatas que disputou até aqui, o brasileiro só não ficou entre os nove primeiros em duas. A estatística lhe dá confiança. ''Estou em uma situação ótima. O vento estava bom e eu tive um dia excelente. Mas ainda não ganhei nada''.
A precaução existe pela própria história do velejador. Na última Olimpíada e no Mundial do ano passado, disputado na Espanha, Scheidt chegou ao derradeiro dia de disputas em vantagem. Mas sucumbiu. Nos Jogos de Sydney-2000, quem lhe tirou o bicampeonato foi o inglês Ben Ainslie, hoje na classe finn. Em 2003, na Espanha, foi a vez de o português Gustavo Lima protagonizar o papel de algoz. Foi o último revés do brasileiro em torneios de alto nível na classe.
Realmente, sua vantagem nunca foi tão pronunciada. Dos 42 barcos que correm na laser, apenas quatro seguem na luta pelo ouro. Quem está mais perto do brasileiro é o austríaco Andreas Geritzer. Scheidt pode chegar até oito posições atrás dele, que mesmo assim leva o título.
Há um valor histórico nesta futura medalha. Até hoje, o Brasil tem somente um bicampeão olímpico: Adhemar Ferreira da Silva, ouro nos Jogos de Helsinque-1952 e Melbourne-1956, no salto triplo.
Todas as chances apontam para Scheidt. Toda pressão está concentrada nele. Mesmo assim, afirma que não liga. ''Estou acostumado. Sou pressionado há pelo menos dez anos. Velejo muito bem nessas condições'', diz.
Jadel O paranaense de Jandaia do Sul, radicado no interior de São Paulo, tenta alcançar hoje uma das suas maiores glórias na carreira. Jadel Gregório, que tem a terceira melhor marca do ano no salto triplo (17m22), fará um duelo difícil com o suíço Christian Olsson, atual recordista mundial e líder da prova nas eliminatórias.

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