Pressão leva políticos a abrir mão de ingressos
Constrangidos com as pressões de imprensa e público, os políticos australianos e o Socog (comitê organizador dos Jogos) se lançaram em campanha moralizadora, que teve como primeiro resultado o aumento de ingressos disponíveis para o espectador comum. Os políticos admitem que estavam recebendo o assédio das empresas oferecendo recepções e bilhetes para alguns dos melhores eventos da Olimpíada.
Os dois principais partidos políticos australianos aconselharam seus membros a não aceitar os presentes. Os bilhetes extras acabaram sendo colocados à venda para o público comum. A decisão sobre a não-aceitação dos ingressos não foi unânime. Houve defensores da tese de que seria importante para o país que os políticos participassem ativamente dos Jogos de Sydney.
John Howard, primeiro-ministro australiano, disse que eles (os políticos) são chamados para assistir às grandes competições esportivas o tempo todo e não devem ser condenados por aceitar ofertas de corporações.
Howard negou ter recebido convite da Telstra, a empresa de telefonia dos Jogos, mas não considera um erro de conduta o fato de seus partidários aceitarem.
Você tem que ser sensível. Não se pode perder a oportunidade de encontrar todos os grandes líderes mundiais de negócios em um mesmo lugar e descontraídos, afirmou o primeiro-ministro.
Encontrou respaldo no senador e ministro das Comunicações, Richard Alston, que declarou ser uma negligência criminosa recusar as ofertas de empresas ligadas ao movimento olímpico.
Membros de seu partido, o Nacional, tomaram caminho oposto, rejeitando os convites. O Partido Democrata decidiu proibir todos seus membros de comparecerem às chamadas salas de hospitalidade das empresas.
Ex-membro da cúpula do Partido Trabalhista e hoje prefeito da Vila Olímpica, Graham Richard advertiu seus antigos pares que sorver (vinho) Chardonnay nos camarotes das empresas durante os Jogos de Sydney acarreta grandes riscos. Mas, para a imprensa local, o próprio mandarim da Vila Olímpica se aproveita da posição de membro do Socog. Aceitar alguns ingressos, eu acho OK, declarou Richard.
Toda essa circunstância acabou por favorecer a população, que viu serem postos à venda ingressos que estavam previamente locados para grandes corporações.
Michael Knight, o ministro australiano dos Jogos, anunciava, ontem, que o público teria acesso a 55 mil ingressos da categoria A indicativa dos melhores assentos que o comitê havia declarado esgotados em 1999.
Nesse grupo estão as finais de atletismo, ginástica artística e basquete, justamente o supra-sumo para o espectador olímpico.
Além disso, os bilhetes foram disponibilizados com preços normais (de US$ 83 a US$ 210, na ginástica olímpica, por exemplo), quando a intenção do Socog era estabelecer um teto maior.
Foram arrecadados US$ 23,6 milhões nos últimos três meses com as vendas de bilhetes. Entretanto, os organizadores precisam arrecadar mais US$ 59,6 milhões para atingir sua meta.
Durante o anúncio, Knight disse que os preços anteriores rapinavam os ingressos somente para os ricos. Em março, veio a público o plano do Socog, que separaria 500 mil ingressos para os compradores preferenciais. A sucessão de polêmicas, como a de agora envolvendo os políticos, obrigou os organizadores a reconsiderar ao menos parte da iniciativa.
Voltamos atrás para que o público entenda nosso espírito. Não queremos que isso (acusações) volte a ocorrer, disse o dirigente.





