Pressão de vencer deixa atletas à beira de um ataque de nervos
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terça-feira, 08 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Um jogo de decisão, é comum ver jogadores se estranhando, bate-boca, empurrões e muito deixa-disso para acalmar os ânimos de quem sofre muito nos dias que antecedem o jogo. Uma pressão que aumenta quando o atleta entra em campo e, nesse estado de estresse, precisa estar ligado. Se não houver um certo controle, um leve esbarrão dado pelo adversário pode resultar em briga e, consequentemente, na expulsão do jogador, prejudicando, por extensão, toda a equipe.
Para o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo, presidente do Centro de Estudos Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), o comportamento de um jogador de futebol numa partida decisiva sofre alterações desde o momento da chegada até o vestiário. Segundo ele, por causa da obrigação de vencer e das pressões da torcida, o atleta passa a enfrentar um forte estresse psicológico e físico.
Do ponto de vista físico, o jogador enfrenta algumas alterações de funções orgânicas básicas. O principal é o aumento na produção de adrenalina, nome popular da epinefrina, hormônio produzido pela porção medular das glândulas supra-renais. Essa mudança provoca o crescimento das frequências cardíaca e respiratória e o consequente aumento da temperatura corporal do jogador.
As alterações não são prejudiciais ao atleta profissional, que possui uma preparação física adequada em seu clube, destaca Matsudo. É até importante haver um aumento na taxa de adrenalina para deixar o jogador aceso e ligado no jogo.
O médico, no entanto, explica que o jogador que não conseguir controlar a excitação em uma partida decisiva, pode acabar perdendo o controle sobre suas próprias atitudes em campo.
Matsudo divide os jogadores em três grupos de comportamento: aqueles que conseguem superar o estresse, geralmente os mais equilibrados que, às vezes, ficam um pouco desligados em campo; os que entram no clima tenso da partida, mas que não perdem o controle; e os que ficam superexcitados, os mais problemáticos.
A forte excitação faz o jogador de futebol perder a agilidade e a coordenação motora, começando a errar passes e a ser facilmente marcado pelo adversário, analisa o médico. Quando uma pessoa fica nervosa, ela começa a gaguejar e ter dificuldades para falar; é mesma coisa que acontece com um jogador desequilibrado, compara.
Segundo Matsudo, um jogador que atinge essas alterações orgânicas em campo tem sérias dificuldades para voltar ao estágio normal. Nesta hora, não adianta os torcedores reclamarem, ressalta. É necessário haver um apoio positivo, como um incentivo de um companheiro, o elogio do treinador ou o aplauso de um fã na arquibancada.
A retomada da confiança diminui a excitação e favorece a volta da agilidade, fundamental para o atleta. Caso contrário, o jogador começa a sentir-se mal e fica mais irritado ainda, afirma Matsudo. No início, ele passa a gritar sem ser compreendido por causa do barulho no estádio; então, começa a gesticular, sem sucesso também, conta o médico.
A última alternativa é apelar para a agressão física, numa atitude descontrolada. Quando o jogador deixa o campo, o estresse diminui, baixando a taxa de adrenalina também.


