São Paulo - O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conselheiro do Corinthians e atual presidente do STJD, Rubens Aprobato Machado, disse ontem que irá pedir a destituição imediata de Alberto Dualib, presidente do clube, e de seu vice, Nesi Curi, devido às conclusões do relatório da Polícia Federal (PF), que revelou fraudes da parceria do clube paulista com a MSI. ''Eu acho que é o momento do basta. Já está tudo perfeitamente comprovado. São fatos públicos e notórios. Na minha visão, não depende de mais nada. O momento exige uma resposta imediata para a coletividade corintiana e esportiva'', disse Aprobato.
Dualib e Curi, que estão licenciados de seus cargos desde o início de agosto, são acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na polêmica parceria com a MSI. Segundo relatório de 72 páginas da PF, a parceria realizou diversas ações fraudulentas.
O relatório resume 14 meses de diálogos entre os principais personagens da ''novela''. As conversas revelam um Kia Joorabchian ''laranja'', subserviente ao magnata Boris Berezovski, procurado por crimes como lavagem de dinheiro e assassinato em seu país, que é apontado nas interceptações telefônicas como maior financiador da parceria - os dirigentes corintianos e Kia sempre negaram seu envolvimento no negócio.
As conversas também mostram atletas negociando com a parceria para receber dinheiro fora do País e atestam a tentativa de trazer Berezovski ao Brasil usando até a influência do presidente da República. Os detalhes da ação da PF, batizada como operação Perestroika, ainda revelam os cartolas corintianos negociando o pagamento de R$ 150 mil a um fiscal da Receita Federal para não autuar o clube.
Para Aprobato, a situação delicada, que pode levar dirigentes corintianos à prisão, deve acelerar também a rescisão do contrato com a MSI. Em julho, o Conselho Deliberativo do clube havia decido pelo fim da parceria, o que ainda não se concretizou devido à multa de US$ 25 milhões, prevista no caso de quebra do contrato. ''Já podemos também promover a rescisão do contrato da MSI. Minha proposta é convocar o Conselho e decidir tudo de imediato. Não dá mais para esperar'', concluiu.
Desdobramentos - Agora os grampos serão objeto de discussão na Câmara: alguns dirigentes corintianos, eles entre Dualib, falarão à Comissão de Esporte da casa, na quinta-feira, quando temas como lavagem de dinheiro no futebol serão discutidos. Requerimento sobre o assunto foi feito pelo deputado Silvio Torres (PSDB-SP). ''Eu tenho a sensação de que essa questão de lavagem de dinheiro é mais ampla que o Corinthians'', afirmou Torres, que acha ''prematuro'' falar em CPI.
Segundo o advogado José Luiz Toloza Costa, advogado da dupla Dualib/Curi no processo da Justiça Federal em que ambos são réus por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, ''se porventura passasse pela cabeça deles (de Dualib e Curi) que o dinheiro (que abasteceu a parceria) fosse ilícito o acordo não teria sido feito''.
''Como uma pessoa dessa (Berezovski), que tem cidadania inglesa, já foi recebido pelo ex-primeiro-ministro (Tony Blair), vive perto do castelo da rainha, pode ser estelionatário?'', disse Costa. ''Aliás, nem sabemos se ele é'', falou o advogado, ressaltando que a parceria apenas foi aprovada porque teve o consentimento do Conselho Deliberativo e do Cori (Conselho de Orientação).
Costa afirmou ainda que a acusação de formação de quadrilha é insustentável. ''Eles (Dualib e Curi) não tinham identidade de propósitos, sempre discordavam do Kia''.
O hoje líder oposicionista do Corinthians, Andrés Sanches, que aparece nos grampos supostamente combinando ocultar a participação de Berezovski na parceria, disse ter falado a verdade. ''Não combinei nada. Apenas perguntei ao seu Alberto (Dualib) se ele queria que eu esclarecesse alguma coisa'', disse Sanches. Ele negou que soubesse que o russo era investidor do negócio.

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