Presidente do Palmeiras descarta saída de Kleina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de março de 2013
Daniel Akstein Batista<br>Agência Estado 
São Paulo - Uma multa alta, a falta de opções compatíveis no mercado e um planejamento da diretoria deram uma sobrevida ao técnico Gilson Kleina no Palmeiras, que continua no cargo após a vexatória goleada sofrida para o Mirassol por 6 a 2, na última quarta-feira. Mas, a não ser que o treinador consiga ótimos resultados daqui para frente, é questão de tempo até que ele seja demitido.
Gilson Kleina está garantido no Palmeiras enquanto não acabarem a primeira fase do Campeonato Paulista e a fase de grupos da Copa Libertadores. Por enquanto, o presidente Paulo Nobre diz que não trabalha sob pressão e que não adianta a torcida pedir a saída do treinador que isso não acontecerá, mas admite que Gilson Kleina está sob uma análise criteriosa. "Ele está sendo analisado dentro de um planejamento interno e não será por causa de uma ou outra derrota que ele deixará de ser nosso técnico", disse o cartola.
Se o time não conseguir a classificação à próxima fase do Estadual ou da Libertadores, aí sim a situação de Gilson Kleina ficará insustentável. E o presidente não terá mais desculpas para mantê-lo no cargo. Paulo Nobre usou mais de 15 vezes a palavra "planejamento" em sua entrevista, tentando mostrar os motivos que levaram a diretoria a bancar Gilson Kleina, mas evitou dar respostas mais objetivas para algumas questões. Uma delas, inclusive, era sobre o que significava o tal planejamento "É assunto interno", afirmou.
Perguntado se o atual grupo alviverde é bom, Paulo Nobre também saiu pela tangente: "Esse é o elenco do Palmeiras, que eu confio, que tem vergonha na cara e que tem brio", disse. "Esse é o elenco para 2013, não estamos aqui para iludir o torcedor. E exigimos comprometimento dos jogadores".
Sem dinheiro para contratar, Paulo Nobre sabe que não dá para exigir muito mais de Gilson Kleina no momento, pois o time, apesar de ter jogado com vários desfalques na última quarta, não é muito diferente daquele que sofreu a goleada em Mirassol. E já adianta que será difícil conseguir bons reforços nessa temporada "O Palmeiras está sempre aberto para bons jogadores, mas o problema financeiro existe, é real, e tentamos fazer contratações dentro das condições do clube", afirmou José Carlos Brunoro, diretor executivo.
Os cofres vazios impedem também uma mudança drástica na comissão técnica. Se demitisse Gilson Kleina, o clube teria de pagar cerca de R$ 1,5 milhão para o treinador de multa rescisória - o valor seria a metade do que ele receberia até o final do contrato, em dezembro.
Sem Gilson Kleina, a diretoria também teria dificuldades em encontrar um novo técnico. Os desempregados Mano Menezes e Dorival Júnior são os nomes mais fortes que já vêm sendo comentados no clube, mas Paulo Nobre não gostaria de trazer alguém que recebesse mais que o atual. Não na atual situação financeira do Palmeiras. A não ser os jogadores que chegaram neste ano, todos os outros estão com dois meses de direitos de imagem atrasados e a diretoria ainda não sabe quando vai quitar sua dívida.


