O presidente do Londrina, Peter Silva, rompeu o silêncio ontem em tom de desabafo. Disse ter esperanças de que o Londrina ainda permaneça na elite do Paranaense, ressaltou alguns feitos de seu mandato, culpou as lesões de jogadores durante o torneio pela posição na tabela e disparou contra a imprensa.
Em entrevista à Rádio Brasil Sul AM, Peter afirmou que proibiu as entrevistas porque estavam ''todos de cabeça quente''. Disse que é difícil de conviver com a realidade do Londrina. ''As pessoas gostam de falar, de criticar, mas poucas pessoas ajudam o Londrina. Aí, faço uma crítica construtiva à imprensa. Não estou generalizando. Algumas pessoas da imprensa fazem questão de menosprezar o Londrina. Sempre que o Londrina está num momento como esse, 'repudiar' (sic) em cima, tendo o poder da comunicação todo dia, o que é uma covardia na minha opinião'', disparou. ''Mas não é culpa da imprensa, a culpa é do presidente, da comissão técnica, da diretoria, dos atletas. Infelizmente o Londrina procurou os caminhos mais difíceis dentro do Campeonato Paranaense. Eu atribuo às contusões. Foi o maior problema que a gente teve. É inexplicável jogar seis jogos em casa, empatar quatro e perder dois''.
Peter ainda ressaltou que pagou 87 ações trabalhistas em seus três anos de mandato, que incluiu o time na Timemania e que fez o acordo com a Justiça do Trabalho.
''Eu tenho que pensar no futuro do clube. Independente do que venha a acontecer com o Londrina, nós temos uma Série D (do Brasileiro) e tem três, quatro parceiros querendo se aproximar do Londrina e vendo o momento que o Londrina está vivendo, para ajudar o clube'', disse, revelando que vai se encontrar hoje com os candidatos a prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT) e Luís Carlos Hauly (PSDB). ''Amanhã (hoje) eu tenho reunião com os dois candidatos a prefeito com um protocolo de intenções, compromisso de ambos, para subirmos da Série D para Série C''.
O desabafo de Peter, contudo, tinha como alvo uma ala da imprensa, a ala que critica o jeito dele de comandar o clube e os defeitos de sua administração. Poupou os que dançam conforme a música. ''O cara põe a bunda na cadeira, mas não vem aqui saber quais são os problemas do Londrina. Falar é fácil. Muitas pessoas são muito covardes com o Londrina, chamando de timinho, tirando foto do escudo caído no chão e fala que ama o clube. É da boca para fora, cambada de marginal, safado. Tem gente que não devia pegar o microfone para abrir a boca para falar do clube. Nunca fez nada pelo clube, nunca sentou aqui pra pagar uma conta'', declarou.
Cobrou apoio comercial da imprensa, o que na verdade tem que ser tratado com seus respectivos departamentos comerciais e não com os jornalistas. ''Nunca ninguém da imprensa chegou em mim e falou presidente, o que você está precisando. Uma campanha, um incentivo, um espaço aqui. Só crítica. Nós merecemos, mas é todo dia e de maneira covarde'', esbravejou.
De acordo com o departamento comercial da Folha, antes do início do Campeonato Paranaense, o jornal procurou o clube para uma parceria comercial nos moldes em que o cartola cobrou ontem. O clube, porém, não quis fechar o acordo porque já teria um compromisso com a rede de televisão que comprou os direitos do torneio.
No desabafo, disse que conversou com o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Hélio Cury, e com o presidente da Comissão de Vistorias, Reginaldo Cordeiro, e eles teriam dito que nas outras cidades a imprensa pressiona para liberar o estádio, enquanto em Londrina a pressão é pela não liberação do VGD.
''Aqui todo mundo que vem ser presidente, eles querem derrubar, querem pôr gestor. Por isso que o Londrina é essa m... que é hoje. Por isso que estamos desorganizados, por isso que a cada dia (o clube) perde a tradição. Eu estou aqui tentando dar credibilidade'', esbravejou.

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