Rio, 14 (AE) - O presidente do Fluminense, David Fischel
reagiu com tom de indignação ao suposto envolvimento do clube em uma possível tentativa de suborno ao árbitro paulista Romildo Correia, que apitou Fluminense 3 x 0 Goiânia, em 9 de setembro, pela Série C do Campeonato Brasileiro. "Não faz parte da tradição do clube qualquer atitude suspeita como essa", disse. "Isso é completamente absurdo e inverossímil".
Segundo Fischel, o valor entregue a Romildo, após o jogo, foi o estabelecido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "Não temos nada com isso, essa quantia, de R$ 210, constava de um papel timbrado da CBF, é o tal borderô."
O dirigente disse desconhecer o conteúdo da conversa de um funcionário da Federação de Futebol do Rio (Fferj), do setor de arrecadação, com Romildo, antes do jogo, como revelou o próprio árbitro. "Isso não é problema do Fluminense." Romildo recebeu do Fluminense dinheiro para voltar a São Paulo de avião. Ele, no entanto, viajou de ônibus, como determina a CBF para os jogos da Série C, e comunicou o fato ao presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Armando Marques. No jogo Fluminense x Goiânia, o time de Goiás teve um gol mal anulado logo no início da partida, quando o placar estava em zero.
Hoje, a federação não soube informar quem seria o funcionário que procurou Romildo no Maracanã. A secretária de Eduardo Viana, o Caixa Dágua, presidente da federação, disse que ele não falaria sobre o assunto por estar "com a agenda lotada". De acordo com um diretor da federação, que pediu sigilo, esse procedimento do funcionário não é o de costume.
Fischel acrescentou ainda que na lista de despesas arcadas pelo clube naquele jogo estavam, além da quantia a ser paga a Romildo, às referentes aos porteiros, fiscais, seguranças e delegados que trabalharam na partida.
A direção da CBF pediu ao presidente da Comissão de Arbitragem, Armando Marques, um esclarecimento sobre o episódio e só vai se pronunciar depois de ouvir o ex-árbitro. O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, seguiu hoje para Porto Alegre, onde participaria de uma homenagem ao ex-presidente da Fifa João Havelange, e não fez comentários sobre o assunto.
Marques procurou minimizar o fato e disse foi "criada uma tempestade em copo dágua". Ele reafirmou, porém que ordenou a Romildo que depositasse o dinheiro recebido na tesouraria da CBF, que, por sua vez, o remeteria ao Fluminense, como foi feito. Hoje, o presidente da Associação Nacional dos árbitros, Jorge Travassos, disse que o problema ocorreu "por causa de erro do funcionário da federação, que deu dinheiro a mais ao Romildo".

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