Presidente do Atlético não teme investigação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de novembro de 2000
Fernando Tupan De Curitiba 
O presidente do Atlético Paranaense, Ademir Adur, não teme a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que pretende investigar a venda do atacante Lucas para o Rennes, da França. Ele insistiu em dizer que todas as operações de venda dos seus jogadores para o exterior passaram pelo crivo do Banco Central e que o contrato está à disposição para todos aqueles que desejarem conhecer mais detalhes das negociações.
Adur afirmou que o rubro-negro paranaense não vendeu Lucas por US$ 21 milhões, conforme noticiado pela imprensa brasileira e do exterior. O valor é bem menor, disse, lembrando que metade do passe do atleta pertence ao empresário Juan Figger, que teve o seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela CPI do Senado, juntamente com o do seu, filho Marcel Figger, ligado ao Rentista, do Uruguai.
Os dirigentes do Atlético nunca falaram em valores e nem mesmo em US$ 21 milhões. Quem inventa os números é quem deve provar, explicou o presidente atleticano, que negou-se a declarar o preço verdadeiro. O Atlético não comenta nada do aspecto financeiro. Mas posso lhe confidenciar que os dólares que recebemos na França foi convertido para reais pelo Banco Central.
Apesar de admitir a parceira que há entre o Atlético e Figger, Adur não se preocupa que o empresário seja investigado porque as negocições foram, segundo ele, feitas na maior transparência. Eles são empresários de futebol devidamente regulamentados. Não sou a pessoa certa para me manifestar. Os acusadores são aqueles que devem reunir as provas das irregularidades e mostrar para a sociedade, afirmou, alegando que seu clube está rigorosamente em dia com suas obrigações como INSS (o rubro-negro tem uma dívida declarada de R$ 1,2 milhão, refinanciada através do Refis), fundo de garantia e imposto de renda.
Um dos empresários que teve o seu sigilo bancário quebrado Léo Rabello pediu que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol investigue também os responsáveis por negociações de jogadores que atuam no futebol brasileiro sem credenciamento da Fifa. A relação de 20 nomes divulgada pelos parlamentares inclui apenas os que agem de forma legal. Segundo Rabello, existem cerca de 300 empresários no Brasil em situação irregular.
As maiores transações recentes no País foram feitas por agentes que não têm credenciamento, observou. Não vou citar nomes, mas esses empresários estão atuando sem nenhuma fiscalização, explicou, acrescentando que, dos 300 nesta situação, cerca de 50 participam de várias negociações. A Fifa não permite a atuação de empresários que não estejam filiados a entidade.


