"A seleção masculina será medalhista no Brasil em 2016." A afirmação animadora é do presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), Manoel Luiz de Oliveira, em entrevista à FOLHA. Para ele, o time masculino nacional está em evolução e tem condições de seguir o mesmo caminho das mulheres, conquistando lugar de destaque no cenário internacional da modalidade.
E o retrospecto realmente mostra um crescimento entre os homens. No Mundial, jogado na Espanha, em 2013, o Brasil só perdeu de um gol de diferença da forte seleção da Rússia, nas oitavas de final, e terminou no 13º lugar, seu melhor resultado entre os homens. No mundial júnior, a equipe acabou em sexto, se tornando a primeira a vencer europeus em mata-matas de mundiais - depois o feminino adulto faria isso quatro vezes num só torneio.
Para ver os homens alcançarem o mesmo sucesso das mulheres, a CBHb pensa em fazer trabalho semelhante ao que foi feito com o feminino há três anos, quando a entidade fechou parceria com o time austríaco Hypo No, e levou para lá de uma só vez seis jogadoras da seleção, mais o técnico Morten Soubak, para jogar os principais campeonatos europeus, "tacada" considerada fundamental para a conquista recente do mundial, na Sérvia.
Oliveira explicou que não é possível repetir o formato no masculino, já que os clubes permitem apenas dois atletas não europeus por jogo, mas revela uma alternativa bem parecida. Boa parte dos atletas da seleção já atua na Europa, mas a ideia é reunir a seleção seis meses antes do torneio no Rio de Janeiro e formar o Brasil Handebol Clube, uma seleção permanente que treinará exclusivamente para os jogos e disputará vários torneios amistosos. "Temos que treinar mais que todo mundo, mais que Dinamarca, Espanha, Noruega, porque queremos ganhar. É uma forma de cuidarmos de todos os atletas como um todo", justificou o presidente da CBHb. O formato será utilizado também com o time feminino.
O fortalecimento do handebol brasileiro passa também pela melhoria de qualidade das ligas nacionais, um dos grandes desafios da CBHb para os próximos anos. Oliveira adianta que já tem R$ 5 milhões aprovados em projetos do Ministério do Esporte para investir nas competições dos naipes masculino e feminino. A ideia é que o dinheiro ajude as equipes com pagamento de hospedagem, alimentação e transporte.
Segundo ele, as ligas deste ano já estão formatadas para terem 12 participantes em cada naipe e duração de, no mínimo, cinco meses. Em 2013, foram seis equipes no masculino e 11 no feminino. Há também acerto com um canal fechado para transmissão das fases finais dos torneios, assim como feito em 2013. Mas Oliveira ainda vai negociar para tentar ampliar o número de jogos televisionados. A medida certamente vai propiciar mais visibilidade à modalidade e seus anunciantes.
Dentro do projeto de desenvolvimento contínuo do handebol ainda está a instalação de seis centros de formação de atletas para a modalidade em diferentes regiões do País. Também deverá ser entregue neste primeiro semestre um centro de treinamento para a seleção, que está sendo construído em São Bernardo (SP).
"O handebol nunca deixou de crescer, com ou sem patrocínio. Obviamente a passos pequenos, mas sempre teve o crescimento, nunca tivemos um ano em que o seguinte não fosse melhor. E assim trabalhamos para 2014, para que seja ainda melhor que 2013. O foco desse ciclo é a conquista das medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio", destacou Oliveira.
O handebol foi uma das 21 modalidades contempladas pelo Plano Brasil Medalhas, do Ministério do Esporte, por ser considerada umas das que possuem chances reais de pódio nos Jogos Olímpicos do Rio/2016. A modalidade ganhou o patrocínio do Banco do Brasil, que investe R$ 4,4 milhões ao ano. Os Correios contribuem com outros R$ 5 milhões, que estão sendo utilizados para a preparação das seleções adultas. "Tudo isso que aconteceu aumenta nossa responsabilidade, pois agora passamos a ser vidraça. Para subir é muito difícil, mas para cair é um passo", finalizou.

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