Presidente da CBG ameaça fechar portas
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Marcos Freitas 
A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), com sede em Curitiba, deve fechar as portas na próxima semana. Sem soluções para seus problemas financeiros, a entidade está falida e não tem recursos para manter seus trabalhos. Ontem a presidente da CBG, Vicélia Florenzano, enviou uma carta ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzmann, informando do fechamento da entidade. Não aguentamos mais mendigar e não há mais nada o que fazer, afirmou.
A Folha fez contato com a sede do COB no Rio de Janeiro para tentar saber da opinião do presidente da entidade sobre o assunto, mas Nuzmann não estava mais despachando em seu gabinete e a sua assessoria prometeu um retorno hoje. O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, também foi contactado pela Folha e pela CBG. A assessoria do ministério também prometeu um contato no dia de hoje.
Vicélia disse que na carta fez um desabafo ao presidente do COB: Disse a ele que estou cansada de ver os poderosos usando o esporte sem acreditar nele. Vicélia disse ainda que deve reunir hoje a imprensa paranaense para uma entrevista coletiva onde explicaria os fatos e o porquê do fechamento da entidade.
Ontem Vicélia se encontrou com o presidente da Paraná Esportes, Marcos Tocafundo, com o diretor da Secretaria de Esporte e Turismo, Adir Cabral e com o diretor da Fundepar (Fundação Educacional do Estado do Paraná), entidade mantenedora da Universidade do Esporte, Segismundo Morgenstein, para tentar resolver a questão. Porém, na sua opinião, a reunião não adiantou muito. A Universidade do Esporte quer dinheiro para a manutenção do ginásio e nós não temos este recurso, disse. Se for assim é melhor ficar onde estamos, mas nem isso vamos conseguir.
Para o diretor da Secretaria de Estado de Esporte e Turismo, Adir Cabral e o diretor da Universidade do Esporte, Segismundo Morgenstein, a reunião foi produtiva. Conversamos bastante e estamos elaborando um projeto para o patrocínio da ginástica, que vai usar a estrutura da Universidade do Esporte, disse Adir Cabral.
O diretor da Fundepar disse que as portas da entidade estão abertas para qualquer esporte, desde que haja um projeto social envolvendo crianças do ensino fundamental. Não posso liberar um ginásio exclusivo para a ginástica pois os equipamentos usados pelos atletas não são móveis e aí eu prejudicaria outros esportes, explicou Morgenstein. Porém, se houver um patrocínio e que envolva 400 crianças, o projeto pode vingar, disse. Ele afirmou ainda que, independente de dar certo ou não, a UE vai estar aberta para o trabalho das atletas de ginástica em qualquer circunstância. Quando a Universidade do Esporte ainda estava sendo construída, a entidade informou a todo mundo que um dos ginásios abrigaria o Centro Nacional de Treinamento da Confederação Brasileira de Ginástica, agora que está pronto o discurso mudou, disse Vicélia.
A CBG está com o aluguel atrasado de sua sede há dez meses e ontem a Secretaria da Fazenda do Estado disse que os R$ 37 mil, que servirão para o pagamento dos aluguéis até novembro do ano passado, foram liberados. Vicélia nem chegou a comemorar: E o que faremos daqui para frente?, indaga. Vamos ter que continuar mendigando recursos para poder formar atletas que estão despontando nas principais competições que participam. Não tenho mais o que fazer e vou fechar o Centro Nacional de Treinamento.
De acordo com Vicélia, ontem a sede da CBG parecia um velório. Funcionários e crianças estavam transtornados e chorando muito por esta decisão, disse.


