Numa votação polêmica, na qual predominou a primeira queda-de-braço entre a ‘‘tropa de choque’’ da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos deputados que defendem a investigação do contrato da entidade com a Nike, a CPI da Câmara aprovou ontem por 14 votos a favor e nove contra, a quebra do sigilo bancário e fiscal pessoal do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e do proprietário da empresa Traffic, José (J.) Hawilla. Na CPI do Senado, foi decidida a quebra de sigilo bancário da empresa de material esportivo Rhummell, uma das devedoras da Previdência Social.
Estranhamente, coube ao deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), vice-presidente do Vasco, comandar o bloco de oposição à Teixeira. Tanto é que os deputados decidiram quebrar o sigilo da CBF e da Traffic, empresa que intermediou o contrato de publicidade com a Nike.
A ‘‘tropa de choque’’ da CBF foi liderada pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que tentou convencer os outros integrantes da CPI a votarem contra os requerimentos dos deputados Silvio Torres (PSDB-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP). Ciro Nogueira (PFL-PI), Luciano Bivar (PSL-PE) e o próprio Eurico Miranda chegaram a pedir a retirada da quebra de sigilo da pauta. No final, o próprio Eurico Miranda recuou, acompanhado de outros deputados, e atacou Teixeira: ‘‘Ele é o principal culpado pela crise que os clubes brasileiros atravessam’’ disse, acrescentando que a disposição de Teixeira em ir à CPI ‘‘é história de Boi-Tatá! ’’ Teixeira foi convocado a depor.
A CPI decidiu também convocar J. Hawilla e representantes da Nike, além da comissão técnica da seleção que esteve na França, no dia 21, e os jogadores Ronaldinho, Roberto Carlos e Edmundo –, no dia 23, além dos colunistas esportivos Tostão, Juca Kfouri, José Trajano e Flávio Prado, na terça-feira e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, e Pelé, no dia 9 e 14. A CPI deverá convocar ainda o ex-técnico da seleção Wanderley Luxemburgo e sua ex-secretária Renata Alves.

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