Rio de Janeiro - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, foi quem deu a palavra final sobre a desconvocação do atacante Ronaldo, do Real Madrid, da disputa das partidas contra Paraguai, dia 5 de junho, em Porto Alegre, e Argentina, dia 8, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, além da Copa das Confederações da Alemanha.
O jogador havia pedido para ser liberado apenas do compromisso na Europa e ficou surpreso com a atitude da entidade. Ele demonstrou não estar magoado com o técnico do Brasil, Carlos Alberto Parreira, pelo desfecho do episódio e em meias palavras o isentou de culpa. ''Ele me deixou claro que não se trata de retaliação. Falamos por telefone e, depois, o Parreira esteve na minha casa'', disse Ronaldo, o artilheiro da seleção nas Eliminatórias com oito gols.
Parreira não quis dar declarações ontem, mas tão logo o anúncio da desconvocação de Ronaldo para os jogos contra Paraguai e Argentina foi oficializado, procurou o atleta em sua cobertura, na Barra da Tijuca, onde durante 40 minutos procurou amenizar os reflexos do episódio.
Ronaldo não admitiu abertamente mas a amigos confidenciou que o técnico do Brasil se mostrou desconfortado com o definição do caso. ''A decisão veio da CBF de me cortar desses dois jogos. Mas não entendo isso como castigo. Vou curtir minhas férias, me preparar bem na pré-temporada e lutar para ser chamado novamente.''
A situação de Ronaldo começou a ser resolvida no início da tarde, durante uma reunião entre a comissão técnica, da qual fizeram parte Parreira, o supervisor Américo Faria, além do auxiliar-técnico Jairo Leal. Teixeira era monitorado a todo instante sobre os rumos do encontro.
O impasse era o de que argumento usado para liberar Ronaldo apenas da Copa das Confederações, sem causar prejuízos à CBF, poderia provocar um ''efeito cascata'', com vários jogadores pedindo também dispensa, como o atacante Adriano, da Internazionale de Milão, que disputa da final da Copa da Itália, contra a Roma, dia 12, no Estádio Olímpico, e dia 15, no San Siro, em Milão (Itália).
Por consequência, o Bétis também pediria a desconvocação do atacante Ricardo Oliveira, para a decisão da Copa do Rei, dia 11, contra o OsasuÀa. Isso acabou se concretizando mais tarde. O atleta só se apresentará à seleção dia 12.
Substitutos Em nota divulgada no site da CBF, a decisão do corte de Ronaldo é anunciada com grave omissão. O documento enfatiza que Parreira liberou Ronaldo da Copa das Confederações e dos confrontos das Eliminatórias, atendendo a um pedido do atleta. ''Deixei bem claro que vim ao Brasil para jogar com Paraguai e Argentina. Queria descansar depois, estou vindo de um período muito atribulado (Ronaldo casou-se, perdeu um filho e se separou em apenas três meses).''
Para o lugar de Ronaldo, o técnico Parreira convocou Grafite, do São Paulo. No entanto, o atacante paulista só o substituirá nas duas partidas das eliminatórias. Para a Copa das Confederações, Júlio Baptista, do Sevilla, é que ocupará a vaga de Ronaldo.

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