O presidente da Associação Desportiva Londrinense (ADL), Paulo Chanan, que controla o time de basquete da cidade, justificou a retenção da verba a que seu clube tinha direito referente ao Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe), como uma atitude ''orquestrada'' de pessoas dentro da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) para prejudicar a associação.
Segundo o cartola, o relatório de questionamentos na prestação de contas da ADL faz parte de uma ação para supostamente beneficiar uma outra entidade que estaria sendo criada na cidade para tocar a modalidade. ''Tenho certeza absoluta de que o interesse político em apoiar esse grupo existe também dentro da FEL e é por isso que está acontecendo isso tudo'', acusou Chanan.
No documento em que questiona a prestação de contas da ADL, a FEL cobrou explicações sobre o pagamento de R$ 4,4 mil ao irmão do presidente, Richard Chanan, e sobre a apresentação de uma nota fiscal no valor de R$ 2,3 mil referente ao consumo de 460 x-saladas, além de inúmeros saques efetuados fora do prazo legal, entre outros pontos. ''Não tem nada de equivocado. os jogadores jantavam por conta da equipe todo dia. Se você pegar 460 e dividir vai dar mais de um por dia. É a nota do mês'', justificou, ressaltando que seu irmão exerceu a função de supervisor por um período em 2009.
Ele garante ter a documentação que comprova que teve as quatro primeiras parcelas de 2009 aprovadas pela FEL. ''Esses questionamentos estão nas quatro primeiras parcelas também. Quem é que está errado? Quem presta conta com a nota ou quem aprova a nota?'', alfinetou.
Sobre os saques efetuados em 2010, Chanan afirmou que depositou dinheiro de outros patrocínios, além do da contrapartida exigida, na mesma conta e que os saques correspondem a esse valor. ''No início, quando não sabíamos como gerenciar a conta, fizemos outros depósitos, além da contrapartida na conta. Tudo isso foi registrado e justificado'', disse. ''Há maldade no relatório que está na FEL. Colocam isso para suspeitar de algo'', reforçou a acusação.
De acordo com o departamento de contabilidade da entidade, a única modalidade que enfrenta problemas que impossibilitam a liberação de novas verbas é exclusividade da ADL. ''Dúvido que estejam fazendo isso com as 40 modalidades que retiraram recursos da FEL. Se tivessem fazendo um pente-fino em todas, eu não tinha o que falar'', esbravejou.
Para o dirigente, a interdição do Moringão devido às péssimas condições do piso da quadra também seria uma forma de prejudicar a ADL. ''Está dentro da mesma orquestração. Há cinco anos jogamos lá e tem o mesmo problema de piso. Aí interditam 15 dias antes (do fim da primeira fase) dos playoffs. E se chegássemos nos playoffs?'', questionou. ''A única maneira que temos para ter renda é no Moringão'', continuou. O ginásio foi interditado num momento em que o time ainda faria mais quatro jogos em casa pela primeira fase do Novo Basquete Brasil (NBB).
Chanan afirmou ainda que todo o dinheiro recebido pela ADL foi investido no basquete e que pagou muitas despesas do próprio bolso, como quatro viagens de R$ 12 mil cada. ''Podem vasculhar minhas contas'', ofereceu-se.
A Folha tentou falar com o presidente da FEL, Paulo Roberto de Oliveira, mas ele estava em uma reunião, junto com outros diretores da entidade e não atendeu às ligações.

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