''O maior problema de encontrar patrocinadores é a cultura local que não sabe investir em esporte''. Com esta frase Paulo Chanan, presidente da Associação Desportiva Londrinense (ADL), entidade que administra as atividades do time de basquete da cidade, justifica os atrasos salariais que complicaram a vida dos jogadores e comissão técnica desde quando o time foi formado para disputar o Novo Basquete Brasil (NBB).
Com uma receita mensal que varia entre R$ 30 e R$ 35 mil por mês, o orçamento da ADL é bem inferior ao da grande maioria dos clubes participantes do NBB. Alguns chegam a gastar R$ 160 mil, ao mês. ''Nosso time tem um dos piores orçamentos da Liga. Somos muito dependentes do dinheiro da Prefeitura e da Sercomtel e se o empresariado local não visualizar nosso negócio como atrativo não tem jeito'', reclamou Chanan.
Ele explica que cerca de 80% da receita é oriunda da Prefeitura Municipal de Londrina (via projetos de Incentivo ao Esporte) e da Sercomtel. Em valores, o montante é algo próximo de R$ 27 mil, por mês, sendo o restante bancado por alguns pequenos patrocinadores. ''Tem R$ 8 mil que sai da iniciativa privada e aí está a minha crítica. Muitos acham que o time está mal, mas com uma receita dessas ganhar de equipes como o Flamengo é um feito'', defende.
Outra fonte de renda para o clube é o valor repassado pela Liga, no final do torneio, referente aos direitos de transmissão dos jogos pela televisão. Segundo Chanan, dirigentes de outros clubes afirmam que em 2008 o valor foi de R$ 80 mil, mas o repasse só acontece no final do torneio. ''A Liga repassou um percentual das transmissões deste ano, mas já está comprometido com a contrapartida da Prefeitura'', afirmou.
Inclusive, esta é última alternativa para a ADL terminar o ano em dia com o elenco e comissão técnica. O resgate dos R$ 26,7 mil, referentes ao repasse da Lei de Incentivo ao Esporte, depende do pagamento desta contrapartida. Ele afirma que o valor de duas parcelas e meia poderão ser pagas com o repasse da Liga, mas o restante é oriundo da Sercomtel que adiantou R$ 15 mil, por determinação do prefeito Barbosa Neto.
O valor das parcelas das contrapartidas é de R$ 8,5 mil e R$ 7,4 mil, quantia referente a 60% do total de cada parcela disponibilizada pela Fundação de Esportes, que são respectivamente de R$ 14,3 mil e R$ 12,4 mil. Na prática, o sistema de contrapartidas funciona como convênio de rateio do patrocínio do time entre iniciativa privada e pública.
Para 2010, Chanan tem junto à prefeitura uma negociação com um patrocinador master engatilhada. Como neste ano a empresa já estava comprometida com outra equipe, as negociações ficaram para a próxima temporada. Mas ele acredita que o empresariado local deveria utilizar com mais frequência o esporte como veículo para se comunicar com a população.
''Nossa cidade gosta do basquete e seria uma maneira de qualquer grande empresa divulgar sua imagem. Eles precisam entender que é uma via direta com a população e o esporte de rendimento incentiva as crianças a entrarem em projetos de categoria de base e projetos sociais. Falta isso ao empresário londrinense'', finaliza.

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