Quando um time está em evidência, tudo aquilo que se refere a ele parece se tornar uma referência. E o São Caetano não é exceção a essa regra. Entre tantas coisas que despertam a atenção na equipe de Jair Picerni, uma das mais curiosas é o fato de ser muito raro algum jogador ficar fora dos jogos por desgaste físico ou estresse muscular.
O meia Anaílson, por exemplo, tornou-se dúvida para a partida de hoje por causa de um entorse no joelho direito. Um acidente, nada relacionado a desgaste.
Mas qual é o segredo para conseguir isso? Claro que a história do conjunto, da humildade, da filosofia e do bom relacionamento interno forma a base do sucesso e acaba repetida à exaustão por Picerni. Porém, estão nas entrelinhas os dados mais curiosos.
Segundo o médico do clube, Paulo Forte, há 15 anos no futebol, sobretudo com trabalhos realizados em times do interior, soma-se a tudo isso três fatores não menos importantes que garantem a boa condição atlética do grupo: boas noites de sono, boa comida e muito descanso.
A primeira impressão é de que se trata do roteiro diário de uma colônia de férias. No entanto, não é bem assim. ''É imprescindível que os jogadores de futebol tenham uma rotina com horários rígidos, seja para acordar, comer e treinar'', afirmou o especialista. ''Aliás, isso vale para qualquer pessoa. Porém, no caso dos atletas, acaba sendo ainda mais importante, já que o organismo deles é submetido a níveis de exigência muito maiores.''
Para se conseguir isso, o grupo do São Caetano foi condicionado a obedecer horários fixos quase que diários. Todos acordam por volta das 7 horas. Meia hora depois estão tomando café da manhã. O primeiro treino começa às 8h30. O almoço acontece sempre ao meio-dia. A tarde é completada por mais uma sessão de treinamentos, dessa vez às 15h30. À noite é servido o jantar às 19 horas e um lanche leve às 22h30. O horário para se recolher é às 23 horas.
Com essa metodologia, explica o médico, é possível controlar mais precisamente a reação de cada um ao desgaste do dia-a-dia e, claro, oferecer o 'antídoto' necessário para resolver eventuais problemas. Ele lembra de viagens conturbadas e de suas consequências nas atividades.
''Quando o avião atrasa e perdemos o horário do almoço, é flagrante dentro do campo os reflexos negativos, sobretudo de performance.''
Para lá e para cá - Um exemplo disso é a forma como são conduzidos os treinamentos. Os atletas mais experientes, como Muller, Adãozinho, Esquerdinha e Aílton são colocados de um lado. Enquanto isso, os mais jovens vão para outro. As dinâmicas de treino são diferentes para cada um deles. ''Não podemos exigir que um jogador de 30, 35 anos produza o mesmo de um garoto de 18, 20'', explicou Forte. ''Por isso é feito dessa forma. Para que cada um renda o máximo dentro de sua condição individual.'' Assim, além de não provocar o desgaste físico, a comissão técnica evita outro tipo de estresse tão perigoso quanto esse: o emocional.

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