Preparo físico é a arma do J. Malucelli na Série C
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sábado, 05 de agosto de 2006
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Campo bom, técnica e grande torcida. Esses três itens decidem muitas partidas por aí nas séries A e B do Campeonato Brasileiro. Mas são fatores que não são encontrados com facilidade na Série C. E na falta disso, o que faz a diferença? Bem, de acordo com elenco e comissão técnica do J. Malucelli, um dos 22 classificados antecipadamente à segunda fase da competição, um bom preparo físico acaba sendo determinante na maioria dos duelos.
''O jogo na Série C é mais pegada, mais força física'', afirma o atacante Marcelo, autor de dois gols na vitória de 3 a 1 sobre a Adap, que assegurou a classificação da equipe à fase seguinte. ''Na Série C muitas vezes a parte física é que prevalece. Os times ganham mais na vontade do que na técnica'', reforça o meia William.
O preparador físico da equipe, Norton Cassol, confirma o trabalho especial para partidas mais disputadas no combate corpo a corpo. ''A exigência física é maior dos atletas na Série C. O que fazemos é um planejamento correto para os jogadores, que têm que acreditar naquilo que passamos. Fazemos trabalho maior de potência e força especial, levando o músculo ao máximo da exigência. Também temos treinos para o organismo tolerar mais a dor muscular. Tudo isso com suplemento alimentar e descanso adequado. Comer, dormir e treinar, isso é o que os jogadores têm que fazer bem'', explica.
Para manter o nível, a comissão técnica faz análises a cada partida. ''Em cada jogo selecionamos cinco atletas e tiramos amostras de sangue para saber nosso nível. Nosso objetivo agora é manter esse nível até o dia 30 de novembro'', adianta Cassol.
E o resultado tem sido obtido em campo. ''No Paranaense, que é um campeonato difícil e com mais pegada, como no Rio Grande do Sul, 91% dos gols do J. Malucelli saíram no segundo tempo. Essa média aumentou na Série C, para 93%. Quer dizer, os resultados dependem de todos os fatores juntos, mas o preparo físico é que acaba decidindo muitos jogos'', ilustra Cassol.
Organização - Para o treinador Lio Evaristo, o empenho do time em seguir as instruções da comissão técnica tem sido essencial para o J. Malucelli obter os bons resultados até agora na Série C. ''Nossa grande qualidade é a organização de trabalho. Formamos um time em setembro do ano passado para o Campeonato Paranaense e apesar de alguns jogadores terem deixado o grupo, muitos outros continuaram e contratamos atletas com boas perspectivas para o futuro'', destaca o técnico.
Com um teto salarial de aproximadamente R$ 2,5 mil e folha de pagamento mensal em torno de R$ 80 mil, a equipe, carente de torcida e estádio grandes, acaba se apoiando no próprio elenco para buscar os resultados. ''A motivação está na comissão e nos jogadores. Acho que torcida ajuda o time a crescer mas não podemos ficar só pensando nisso'', conclui o treinador.


