Lucilia Okamura
De Londrina
‘‘Se alguém souber o que são e tiver as receitas de ‘brazos de reina’ e ‘queques’, por favor, encaminhem para o Hotel do Lago’’. O apelo, bem-humorado, é da supervisora de alimentação e bebidas do hotel, Adriana Figueiredo. Ela é a encarregada de providenciar as refeições para a seleção chilena, uma das adversárias do Brasil no Pré-Olímpico – e confessa que nem imagina como são estes pratos.
Organizada, a delegação chilena encaminhou, há cerca de duas semanas, todas as exigências para a permanência do grupo no hotel, localizado próximo ao Lago Igapó, na zona sul de Londrina. O cardápio, para cinco refeições diárias, é simples e contém itens como arroz, massas, verduras e carne. ‘‘Recebemos outras equipes de futebol que vieram com cardápios mais complicados e pedindo maior quantidade de comida’’, observa a nutricionista.
O que tem feito Adriana Figueiredo quebrar a cabeça são alguns pratos típicos. ‘‘Sei que galetas é uma espécie de bolacha, mais seca e feita com fubᒒ, exemplifica. ‘‘Mas brazos de reina e queques nem imagino o que são, e nem encontro nenhum chileno que me ajude.’’
Com exceção da alimentação, o hotel não tem encontrado dificuldades em preparar o local para receber a delegação do Chile, que deve desembarcar em Londrina no dia 16 ou 17. No dia 15 de dezembro, representantes da Federação Chilena de Futebol estiveram visitando o hotel. ‘‘Eles são bem simples, muito brincalhões e até dispensaram algumas exigências feitas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol)’’, revela o gerente-geral do hotel, Maurici Menezes.
Os jogadores chilenos, os primeiros adversários do Brasil no torneio (fazem o jogo ‘de fundo’ da primeira rodada dupla, dia 19, no Estádio do Café), vão ocupar dois andares do hotel – 21 apartamentos. Apesar deles não terem pedido, Maurici Menezes diz que foram providenciadas uma sala de jogos e segurança 24 horas no hotel para barrar a entrada de penetras. A única exigência, segundo ele, foi que fosse colocado um biombo no restaurante para separar a delegação dos demais hóspedes.
Uma solicitação feita pela Confederação Chilena não pôde ser atendido pela gerência do hotel. ‘‘Eles pediram, se possível, que evitássemos que jornalistas chilenos se hospedassem no hotel, mas dissemos que não seria possível porque é difícil ficar selecionando hóspedes’’, conta Menezes.
Além de jornalistas chilenos que já fizeram reserva no hotel, também estará hospedado um grupo de seis torcedores de Curitiba que vêm a Londrina justamente para assistir ao jogo de estréia. ‘‘Não vai ter problemas, acho que vai ser uma festa’’, diz o gerente, quando questionado sobre possíveis atritos entre os torcedores e os jogadores.
O Hotel Sumatra, na Rua Souza Naves (área central), será a casa dos jogadores e da comissão técnica colombiana, durante o torneio. Como a gerência ainda não recebeu orientações específicas sobre a delegação (alimentação especial, por exemplo), foi providenciado o ‘‘trivial’’. ‘‘O hotel preparou um andar exclusivo para a delegação: são 17 apartamentos e mais a suíte presidencial para o presidente da confederação’’, explica o gerente Edson Castro do Nascimento. A exemplo do que acontece com outras delegações, o frigobar dos apartamentos conterá apenas água. ‘‘Nem refrigerantes, bebidas alcóolicas, salgados ou chocolates serão permitidos’’, informa Nascimento.
A seleção colombiana, composta por 30 pessoas e que deve chegar no dia 14 ou 15, vai contar ainda com salas exclusivas para refeições, entrevistas coletivas e preleção. ‘‘Acreditamos que eles vão consumir cerca de mil quilos de alimentos em 15 dias’’, calcula o gerente. O hotel está adaptando ainda uma sala para servir de miniacademia. Para que não haja problemas de comunicação, foram contratados funcionários que falam espanhol.
A expectativa dos funcionários do Sumatra para receber os colombianos é grande, segundo Edson Nascimento. ‘‘A responsabilidade é grande, vamos tratar com pessoas públicas’’, ele ressalta, observando que o hotel está acostumado a hospedar e sediar eventos de negócios.
Sobre as chances da Colômbia no torneio, o gerente do Sumatra acredita que, depois do Brasil, é a seleção mais forte do Grupo A. ‘‘Colômbia já tem uma tradição no futebol sul-americano, tem um jogo forte e agressivo’’, opina Nascimento.
A uma quadra do Hotel Crystal (onde a Seleção Brasileira está hospedada), fica o Nóbile que, no dia 15, recebe a delegação do Equador. O sócio-diretor do hotel, Pietro Palumbo, afirma que está praticamente tudo pronto para recepcionar bem os 30 integrantes da delegação. ‘‘Os hotéis de Londrina têm obrigação de oferecer o melhor para os jogadores, porque estamos contribuindo para divulgar a cidade’’, observa Palumbo.
A delegação da Venezuela, a última a chegar a Londrina (no dia 18), ficará no Hotel Crillon. Este hotel hospedará também os delegados da Confederação Sul-Americana de Futebol (Commebol). Outros dois hotéis serão usados durante o torneio: os cadetes da Polícia Militar que vêm de Curitiba para reforçar a segurança ficarão ho Hotel Galli e os árbitros vão estar no Hotel Bourbon.Das seleções que virão a Londrina, apenas a do Chile está dando trabalho: hotel procura receitas de ‘queques’ e ‘brazos de reina’
Dorico da SilvaAJUDEM-ME!A nutricionista do Hotel do Lago, Adriana Figueiredo, com cardápio enviado pelos chilenos: apelo bem-humorado