Paris - Não foi só tristeza e desilusão que marcaram o dia seguinte da delegação brasileira após a surpreendente eliminação da Copa das Confederações. Para alguns jogadores, o sentimento que prevalecia era o de preocupação. Muitos sabem que a competição foi uma oportunidade única de mostrar um bom trabalho e garantir uma vaga no grupo que vai iniciar a disputa das Eliminatórias para o Mundial da Alemanha, a partir de setembro.
Os jogadores terão agora que lutar contra a imagem e o nome associados ao time que foi eliminado ainda na primeira fase de uma competição oficial, fiasco que não ocorria com o futebol brasileiro desde a Copa da Inglaterra, em 1966. Além disso, todos, sobretudo os mais jovens, como é o caso do lateral-esquerdo Kléber, do Corinthians, e do meia Kléberson, do Atlético Paranaense, queriam transformar as partidas na França em uma vitrine para clubes europeus.
Ontem os jogadores demonstraram claramente essa mistura de decepção e preoucupação, através da fisionomia abatida e desanimada da maioria dos jogadores. O time saiu do Centro de Treinamento L'Etrat, onde estava hospedado, e foi para a estação de Saint-Etienne. A delegação evitou o assédio da imprensa e de torcedores e não passou pelo saguão principal, dirigindo-se diretamente a um portão lateral. O único a falar foi o técnico Carlos Alberto Parreira, que minimizou a desclassificação da seleção e mostrou nítida falta de paciência quando os repórteres perguntaram sobre as consequências negativas para o futebol brasileiro.
Todos embarcaram no trem de alta velocidade francês rumo a Paris e, após uma parada rápida em Lyon, a Confederação Brasileira de Futebol reservou apartamentos em um hotel sofisticado no centro da cidade. A comissão técnica optou por preservar os atletas durante as quatro horas de espera até o embarque no aeroporto Chales de Gaulle.

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