São Paulo - A chegada de Kaká ao festejado pódio da Fifa, como o melhor jogador do mundo no final de 2007, inaugura a era do ''bom-mocismo'' na imagem refletida pelos atletas do futebol nos negócios da publicidade. Antes dele, costumava ser mais habitual a figura de jovens torneados, mas também atormentados pelo excesso de testosterona exposta a situações de risco, como festas repletas de belas mulheres, ou duras divisões de bola em campo. Em ambos os casos, poderiam resultar em confusão.
A boa imagem que transmite, tanto em campo como fora dele, aliada agora à reconhecida alta performance como atleta, transforma Kaká em garoto-propaganda de forte apelo para as empresas associarem suas marcas. Com isso, ele irá ampliar o já farto portfólio de patrocínios, que somam contratos globais da ordem de 3 milhões de euros (R$ 7,8 milhões) por ano, sendo os três maiores o de aparelhos de barbear Gillette, o de calçados esportivos da Adidas e o de roupas da grife Armani.
Há publicitários, como Carlos Perrone, presidente da Pepper, agência de marketing esportivo do grupo Newcomm, que arriscam que Kaká possa assinar, pelo menos, ainda mais dois contratos milionários para engordar seu cofrinho e, com isso, aumentar a sua renda anual, que conta com salário de 9 milhões de euros (R$ 23,5 milhões), em negociação com o Milan.
''É difícil ter um perfil como o dele no futebol, mas, sem dúvida, é o cenário ideal: é bem-sucedido, bonito, de família, tem valores morais e é bem articulado'', avalia Isabelle Perelmuter, vice-presidente de Planejamento da agência de propaganda Fischer América. ''Mas não é todo dia que nasce um símbolo feito sob medida como ele'', acrescenta, para indicar o quanto ele assume um papel especial nesse momento.
Entre os aficionados do futebol, ganha destaque a qualidade de Kaká ser o tipo de atleta que joga para o time, para atingir o melhor resultado, sem necessidade de chamar atenção para si. Esse desempenho, discreto e elegante, já lhe valeu um modelo de chuteira clássico - preto com singelas listras brancas - batizando de Pure pela Adidas e a ser lançado em breve. Em contraste, quem não se lembra das chuteiras douradas que a Nike criou para o fenômeno Ronaldo?
E, por falar em Ronaldo, é bom lembrar que no seu auge chegou a faturar US$ 10 milhões com patrocínios. Ou seja, Kaká já está quase empatando.
Primos pobres
Se Kaká atinge toda essa magnitude no meio publicitário e está virando o garoto-propaganda mais cobiçado do momento, os outros dois futebolistas também premiados pela Fifa, Marta, no futebol feminino, e Buru, no futebol de areia, permanecem a léguas dessa possibilidade.
Marta, atualmente, tem apenas um contrato com a marca esportiva Puma e, junto com o salário do time sueco Umea para o qual joga, recebe por mês no total US$ 55 mil. Buru, por sua vez, não tem apoio publicitário e só conta com a renda conquista no esporte.
A razão para tal é explicada pelo vice-presidente de Criação da agência DM9DDB, Rodolfo Sampaio: ''O esporte requer não apenas um vencedor e excelente atleta, mas também o símbolo de uma série de valores positivos, de perseverança, família, dedicação, saúde. Alguém acima de polêmicas, alguém que é unanimidade. É o caso do Kaká'', diz ele. ''Já Marta e Buru, para terem a valorização de seu 'passe publicitário', dependem também e diretamente de uma maior popularização das categorias em que atuam.''
Mais bem pagos
O potencial de crescimento de Kaká pode ser ilustrado também pela comparação de seus ganhos com os dos esportistas mais bem pagos do mundo. Na lista mais recente, divulgada pela revista ''Sports Illustrated'', a conta que mais recebeu dinheiro foi a do golfista norte-americano Tiger Woods, com incríveis US$ 111,9 milhões (cerca de R$ 202 milhões) recebidos no ano passado, sendo US$ 100 milhões só de prêmios e publicidade.
A lista é dominada por homens. A mulher mais bem paga do mundo do esporte é outra golfista: Michelle Wie, que faturou US$ 20,2 milhões (R$ 36,3 milhões) na última temporada. Ela está bem abaixo no ranking: é a 22 na lista se considerados apenas os atletas dos Estados Unidos. Ainda assim, uma renda próxima à de Kaká.

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