Acompanhando de uma comitiva de 13 pessoas - entre secretários e assessores - o prefeito Homero Barbosa Neto foi ontem à tarde ao Estádio do Café para anunciar que está liberada a verba, em torno de R$ 230 mil, para a construção de um muro de 725 metros de comprimento cercando parte do estádio, para a avaliação das estruturas das torres de iluminação e da marquise das arquibancadas cobertas, além da adequação do projeto de combate a incêndios.
Segundo o prefeito, ao dar início à fase burocrática, com os editais de licitação sendo publicados ainda nesta semana, a previsão é de que as obras estejam prontas em 60 dias, ou seja, bem depois do dia 10 de março, quando o Londrina faz o jogo de volta da primeira fase da Copa do Brasil contra o Uberaba-MG. Porém, Barbosa Neto não escondeu que há a clara intenção de, com as obras em andamento, sensibilizar a Federação Paranaense de Futebol (FPF) para que haja a liberação, pelo menos parcial, do Café. ''O Agnaldo Rosa (diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) já conversou com o Hélio Camargo (vice-presidente da FPF para o Norte do Paraná) e esperamos que a federação atenda ao nosso pedido'', comentou o prefeito.
Contudo, se depender do presidente da Comissão de Vistorias da FPF, Reginaldo Cordeiro, o Estádio do Café so voltará a receber uma partida oficial de futebol quando todas as exigências feitas pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar (PM), Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) estiverem realizadas. ''Temos que atender à legislação vigente, por isso não há possibilidade de liberação do estádio se tudo não estiver pronto. Desconheço qualquer chance de liberar apenas uma parte. Defendemos o nosso afiliado, que é o Londrina, mas ele tem que estar dentro da lei'', enfatizou Cordeiro em entrevista à FOLHA.
Sensação de abandono
Construído em aproximadamente um ano e inaugurado em 22 de agosto de 1976, o Estádio do Café consumiu 23 mil sacos de cimento, 20 toneladas de ferro, 850 mil tijolos e 12 mil metros cúbicos de pedra, de acordo com levantamento feito pela FOLHA à época de inauguração. A obra encheu os olhos de todo o Norte do Paraná e reuniu 50 mil pessoas para a sua primeira partida, contra o Flamengo.
Hoje, a situação do lugar é de abandono. O gramado não é aparado há um bom tempo e a grama do tipo Mato Grosso está se mesclando à Esmeralda, que é a predominante. O mato também ganha espaço entre as gramíneas.
Fora do campo, as exigências para a liberação vão além das realizações imediatas anunciadas pela prefeitura. Para atender completamente aos Bombeiros é preciso fazer também corrimãos centrais em todas as escadas das arquibancadas. A Vigilância Sanitária fez uma lista de exigência de 19 itens. PM e Crea pedem o isolamento completo da torcida visitante, com sanitários e bares, e também acesso exclusivo desses torcedores ao estádio.
Questionado por jornalistas se as obras não podiam ter sido iniciadas há mais tempo para viabilizar o jogo do Londrina contra o Uberaba, Barbosa rebateu. ''Ainda não recebemos nenhum comunicado oficial dizendo da interdição do estádio. O Londrina não mandou sequer um ofício pedindo para utilizá-lo. Houve um abandono de 10 anos. A situação atual não é culpa da nossa administração''.
O desabafo foi concluído pelo presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Paulo Roberto de Oliveira. ''Atualmente as coisas são paternalistas. Isso tem que mudar. Temos que profissionalizar as coisas'', disse, deixando no ar que pensa em passar a cobrar aluguel dos times que utilizarem o Café. ''Se não tem arrecadação, não tem como investirmos. Um jogo aqui, entre iluminação, água e limpeza custa R$ 8 mil à prefeitura'', destacou.
O diretor-geral do Londrina, Vágner Nunes, rebateu o desabafo dos dirigentes municipais ''Tive duas reuniões com o prefeito e o presidente da FEL. Eles me garantiram que o estádio estaria pronto até o dia 10 de março. Sobre o aluguel, nunca me falaram sobre. Nunca houve essa cobrança. É estranho que haja agora''. (Colaborou Thiago Mossini).

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