Prefeitura anula as licitações em Interlagos
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Agência Folha De São Paulo 
A Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo anulou ontem quatro licitações envolvendo reformas no autódromo de Interlagos com vistas ao GP Brasil, terceira etapa do próximo Mundial de F-1, no dia 1º de abril. Foram encontradas irregularidades nos editais e, segundo cálculos do órgão, a readequação dos processos vai resultar em uma economia de cerca de R$ 1,7 milhão à Prefeitura de São Paulo.
Existia um grande descompasso entre o que é necessário fazer no autódromo e o que havia de exigências nesses editais, declarou a secretária Nádia Campeão. Itens que não eram necessários faziam parte dos editais e coisas que precisam ser feitas simplesmente não estavam lá, disse.
Foram anuladas as licitações para serviços de alvenaria, pintura, instalações elétricas e drenagem. Entre as exigências dos editais havia absurdos, como a construção de um prédio com área de 900 metros quadrados para abrigar as emissoras de televisão a FOA TV (braço televisivo da empresa que gere a F-1) gera todas as imagens das provas e é a responsável por montar essa estrutura.
Um outro item previa a iluminação da Reta Oposta. Como em anos anteriores, o GP Brasil será às 14 horas.
Além de nós, o TCM (Tribunal de Contas do Município) também questionou essas quatro licitações. As exigências eram tantas que os editais foram considerados restritivos demais. Poucas empresas teriam condições de executar essas obras, afirmou a secretária.
Os quatro editais foram publicados na edição de 12 de dezembro do Diário Oficial do Município, ainda na gestão de Celso Pitta (PTN) na prefeitura. O secretário de Esportes era Fausto Camunha.
A atual secretária disse que já comunicou a medida à prefeita Marta Suplicy (PT) e que espera encontrar uma solução de emergência para o caso até amanhã. O problema é que não temos tempo de abrir novas licitações, já que o autódromo precisa ser entregue aos organizadores do GP no início de março, disse Nádia.
Ao todo, o orçamento da prefeitura para o GP Brasil é de R$ 26 milhões. As quatro licitações anuladas representavam R$ 5,4 milhões, ou 20% desse total.
FIA/Vistoria O cancelamento das quatro licitações e as previsões de atrasos nas obras coincidem com a primeira vistoria oficial da FIA para o GP Brasil. Hoje, o inglês Charles Whitting, inspetor de segurança da entidade, estará em Interlagos avaliando a situação do circuito.
Acho que ele vai tomar um susto, disse Antonio Pizzonia, piloto da F-3000, que treinou ontem com um carro de F-3 no circuito paulistano. A grama em volta da pista está mais alta que o carro. Se um carro rodar e parar no meio do mato, ninguém acha.
Pizzonia também criticou a sujeira nos boxes. Isso aqui está abandonado, cheio de lixo. Não tem nem comparação com os autódromos da Europa, declarou.


