Atenas - Depois de errar apenas dois tiros no último dia de treinamento, o paranaense Rodrigo Bastos, de Guarapuava, abre a série de disputas dos brasileiros nos Jogos Olímpicos de Atenas. Ele é o primeiro homem brasileiro a competir na cidade grega após a cerimônia oficial de abertura. A sua prova, fossa olímpica, acontece às 9 horas (de Brasília), no Markopooulo Shooting Centre. No feminino, Fabiane Beltrame, do remo, será a primeira atleta a competir, às 2h30.
''Ele não sabe e nem gostaria de saber que é o primeiro'', comenta o técnico de Bastos, Eduardo Oliveira, lembrando dos resultados que fez na véspera da primeira eliminatória. ''O que importa realmente é que ele treinou muito bem. Errou apenas dois tiros dos 75 que deu, divididos em três séries de cinco'', conta.
Bastos será o terceiro atirador na posição da competição. Na frente dele, o australiano campeão do mundo Adam Vella e Glenn Kable, das Ilhas Fiji. Na sequência, atiram o francês Stéphane Clamens, o russo Alexei Alipov, medalha de bronze no Mundial de 2003, e Francisco Boza, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 84.
''O tiro é diferente dos outros esportes. Não dá para fazer comparações. Não dá para visualizar alguém na sua frente, como no hipismo, na natação, no atletismo. É muito difícil eles ficarem olhando no quadro de pontuação toda hora. O que dá pra dizer é que todos estão bem e que o Rodrigo está muito bem'', afirma o treinador, acreditando na possibilidade de medalha.
Segundo Oliveira, o atleta melhorou muito tecnicamente desde os Jogos de Seul (88), onde conquistou o oitavo lugar. ''Hoje ele visualiza mais a saída, atira mais rápido, tem uma arma mais apropriada'', diz.
''Acredito que pela tranquilidade que vem apresentando, ele poderá realmente conquistar uma medalha para o Brasil'', afirma o treinador.
Na prova de fossa olímpica são cinco postos para seis atiradores. O atleta do segundo posto tem 10 segundos para atirar depois do primeiro, depois muda de posição, cedendo o lugar para o sexto atirador. Cada atleta passa pelos cinco postos até atingir 25 pratos. A série é repetida cinco vezes.
Dos seis atiradores, Bastos é o que tem a melhor marca pessoal 124 pratos, resultado obtido nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo (2003), onde bateu os recordes brasileiro e sul-americano e igualou aos recordes olímpico e mundial. A segunda melhor marca pertence ao russo Alipov e ao australiano Vella (123 pratos). Clamens aparece com a terceira melhor média, 122 pratos em 125. Kable e Boza em quarto, com 121 pratos.

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