São Paulo - Muricy Ramalho foi eleito pelos próprios treinadores o melhor da categoria do futebol brasileiro nos últimos quatro anos - três deles com o São Paulo e um com o Internacional -, sempre com a fama de que seus times abusam dos lances de bola parada.
  Depois de quatro meses no Palmeiras, essa característica nunca esteve tão evidente como no empate em 2 a 2 com o Corinthians, no último domingo, em Presidente Prudente. E graças a um chileno: Luis Pedro Figueroa. Os cruzamentos do gringo viraram a principal arma ofensiva do time. Ele estreou como titular no fim de setembro, contra o Atlético Paranaense. Nos 13 gols que o time fez desde então, mais da metade (sete) tiveram a sua participação, incluindo os dois no domingo - foi Figueroa quem cruzou para os gols de Danilo e Maurício Santos.
  O estilo dos cruzamentos, segundo o próprio chileno, é inspirado no português Luís Figo, eleito o melhor jogador do mundo em 2001, quando era um dos ‘‘galácticos’’ do Real Madrid. ‘‘É um dos jogadores de quem eu mais gosto’’, disse Figueroa, que começou a carreira como meia bem aberto pela direita, assim como jogava o português já em fim de carreira.
  Figueroa explica que o segredo é bater na bola com o lado de dentro do pé, pegando de raspão na bola, para que ela ganhe curva, e ao mesmo tempo aplicando a maior força possível. Quanto mais forte, melhor para o atacante, já que qualquer desvio passa a ser fatal para o goleiro adversário.
  Muricy Ramalho comparou os cruzamentos de Figueroa com os de Jorge Wagner, seu jogador no Internacional e no São Paulo. A diferença é que o chileno é destro e o são-paulino, canhoto. ‘‘Todo time que tem um cara assim precisa explorar essa qualidade. É uma jogada muito treinada e difícil de ser marcada’’, disse Muricy, sem vergonha nenhuma de admitir sua predileção por jogadas de bola parada. ‘‘Quem quiser ver espetáculo que vá ao teatro’’, costuma dizer.
Estilos diferentes
  Figueroa e o colombiano Armero, os laterais titulares do Palmeiras, têm estilos completamente diferentes. Enquanto o primeiro é mais técnico e usa os cruzamentos como principal arma, o segundo é pura força física, mas costuma pecar exatamente na hora de centrar a bola na área. Essa diferença é considerada ‘‘muito boa’’ por Muricy, ‘‘uma forma de equilibrar o time’’.
  No 4-4-2, que o técnico vinha usando antes da série de quatro tropeços, Figueroa e Armero eram proibidos de avançar juntos ao mesmo tempo. No atual esquema, o 3-5-2, são estimulados a isso. No clássico contra o Corinthians, em três ocasiões no primeiro tempo o cruzamento de um chegou aos pés do outro. Armero quase marcou num chutaço de fora da área, em jogada iniciada por Figueroa.
  Essa formação foi a alternativa encontrada por Muricy após a contusão do meia Cleiton Xavier. Sem o camisa 10, o técnico optou
por deixar Diego Souza
como único armador, apostando no apoio dos laterais estrangeiros e na cobertura
do sistema com três zagueiros
e dois volantes.

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