A temporada 96 para os brasileiros que competiram no exterior - cerca de 40 pilotos - começou com a expectativa de muito sucesso, títulos e grandes revelações. Mas, encerrados todos certames de que participaram, o sabor foi amargo para a grande maioria. Mesmo assim os que se destacaram entram em 97 com o esforço redobrado, porque conquistaram espaço no meio e na mídia especializada. Título mesmo apenas um, do paranaense Enrique Bernoldi, na Fórmula Renault européia, mas uma nova safra está surgindo, enquanto outros mostraram competência e terão mais um ano para mostraro que podem.
O maior fracasso brasileiro este ano foi na Fórmula 1. Rubens Barrichello, em sua quarta temporada na categoria, afundou junto com a equipe Jordan. Em 16 etapas somou apenas 14 pontos (oitavo lugar) e seu melhor resultado foi um quarto lugar no GP da Inglaterra, em Silverstone. Muito pouco para quem iniciou o ano pensando em lutar pelas primeiras posições nas corridas e no campeonato. Pedro Paulo Diniz, correndo pela Ligier, se não empolgou, pelo menos mostrou amadurecimento e conquistou seus dois primeiros pontos na F-1, com dois sextos lugares, em Barcelona, e em Monza. Já Ricardo Rosset pouco pôde fazer na hoje revigorada Arrows.
Saindo da Europa e vindo para a América, a atraente Fórmula Indy contou com sete pilotos brasileiros em toda a temporada. Os destaques durante a competição foram Christian Fittipaldi, o melhor colocado (quinto lugar) e Gil de Ferran (sexto). Ambos chegaram até a brigar pela liderança, principalmente Gil, que deixou de pontuar em seis das últimas provas e deixou escapar uma grande chance. André Ribeiro começou a sentir o gosto da fama após a vitória no Brasil (voltaria a vencer em Michigan), mas ainda depende de uma equipe de maior peso para pensar mais alto. Êmerson Fittipaldi vinha fazendo uma temporada tranquila, sem maiores projeções, mas o acidente nas 500 Milhas de Michigan pode ter encerrado sua carreira. Já os tarimbados Maurício Gugelmin, Raul Boesel e Roberto Moreno lutaram contra os vários problemas de seus carros e tentarão dar a volta por cima em 97.
Frustração e sucesso Nas categorias imediatamente abaixo das principais, os resultados se dividiram. Na quase extinta Fórmula 3000, última escala do piloto antes da F-1, o que falta é maior incentivo e uma maior modernização dos carros. Por isso mesmo está em queda livre, pois já não garante ao campeão um lugar na F-1. Os brasileiros Ricardo Zonta, Marcos Gueiros e Cristiano da Matta encararam a disputa. Apenas o paranaense Zonta, com duas vitórias no final da temporada (Estoril, Portugal, e Mugello, Itália) se sobressaiu, ficando em quarto lugar.
Na F-3000 inglesa, mais barata, o brasiliense Luiz Garcia Jr. foi o vice, mas mesmo assim ele e Cristiano da Matta já estão de malas prontas para a Indy Lights.
Por outro lado, a Indy Lights vive uma situação inédita, com muitos brasileiros e europeus lutando por vagas nas equipes, que até pouco tempo eram redutos de norte-americanos e canadenses. Elogiado por todos e com um belo futuro pela frente, Tony Kanaan foi o destaque brasileiro na categoria e encerrou o ano como vice-campeão. Com vitórias em Detroit e Laguna Seca, continua mais um ano na categoria, agora com a expectativa de lutar pelo título, assim como Hélio Castro Neves, outro que logo logo vai dar o que falar.
Sorte grande teve Gualter Salles que venceu em Portland, Cleveland e Toronto, assegurando o terceiro lugar na classificação. Ele foi convidado para a F-Indy e em 97 será mais um brasileiro na principal categoria dos Estado Unidos, competindo pela equipe Patrick. Por isso e outras a Indy Lights vive momentos de grande aceitação, ao contrário da F-3000.
Apostando no futuro A grande surpresa este ano foi que nenhum brasileiro disputou a Fórmula 3 inglesa, categoria que até 95 era passagem obrigatória para quem sonhava com a F-1. Devidos aos custos elevados, os jovens pilotos recém-saídos do Brasil procuraram outras alternativas, e se deram bem. O grande destaque este ano foi o curitibano Enrique Bernoldi, que competiu na Fórmula Renault européia, e venceu oito das dez etapas, nas quais foi pole noves vezes. Bernoldi hoje é a maior esperança brasileira para o futuro. Sua cotação é das melhores, tanto que foi convidado pela Renault para defender a fábrica na F-3 inglesa deste ano.
A garotada mostrou serviço ainda em outras categorias. Na Inglaterra, por exemplo, na Fórmula Vauxhall (equivalente a Opel ou a nossa F-Chevrolet), Ricardo Maurício foi o brasileiro de maior destaque, fechando o campeonato em quarto lugar.
Não tendo o mesmo sucesso, mas mostrando que vieram para ficar, destaques ainda para o paranaense Wagner Ebrahim, na F-Opel européia, quando com equipamento inferior à maioria, terminou o campeonato em 12º.

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