Muita lama e altas atoladas marcaram o 3º Jeep Fest de Gaspar, no último domingo, em Santa Catarina. A forte chuva da véspera, denominada como ‘‘bomba d‘água’’ pelos organizadores, deu um tempero a mais à prova de Jeep Cross, tornando-a super competitiva - só quem teve braço é que brigou pelos três mil reais de premiação.
Ao todo foram 40 jipes inscritos, vindos dos três estados sulinos. O veterano curitibano Luiz Altivir Fontana, 61, revelou que com a inexistência da modalidade no Paraná, onde predomina a categoria Raid, os jipeiros tem que viajar a outros estados para experimentar a adrenalina das pistas de Jeep Cross. Sete representaram o estado neste evento: cinco de Curitiba e dois de Barracão, fronteira com SC e Argentina.
O circuito, de tanto barro, ficou ‘‘mole’’ em seus 360 metros de pista dupla, nas quais disputavam dois carros por vez. Os pilotos tinham que encarar curvas fechadas, lombadas, rampas e verdadeiras crateras de barro. Ficou difícil manter o controle da nave. Com as constantes derrapadas os buracos precisaram de certos retoques (recheios de terra) feitos por escavadeiras. Os participantes largaram de a dois, espalhando lama para todos os lados, completavam uma volta e repetiam a dose trocando de pista. As melhores médias de tempo definiram os vencedores.
Alguns apostavam no período da tarde. Com o fim da chuva, a pista ficaria mais seca e, assim, tentariam obter um melhor rendimento no cronômetro. Resultado: derrapagens, rodadas, atoladas e até capotagens, garantindo o show para as 10 mil pessoas presentes que prestigiaram o evento. O público, ansioso por registrar os melhores momentos, se acomodou como pôde nas arquibancadas, em jipes, até em tetos de caminhões... Tamanho festival barulhento resultou em blocos de motor partidos, caixas de direção quebradas, latarias amassadas... Todo espetáculo de off road cobra o seu preço. Carlos Antônio, organizador da festa, todo sujo de barro, explicou a causa da quebra de um dos jipes que, enguiçado, soltava nuvens de fumaça: ‘‘É vazamento de óleo. Este aqui tem dois quilos de turbina! Tanta potência em pista pesada dá nisso. O motor acaba quebrando, não aguenta.’’ Enquanto falava, Carlos ia juntando cacos do bloco espalhados pela pista barrenta.
Felizmente ninguém ficou ferido. As normas de segurança do regulamento da competição garantiram a integridade dos pilotos nos mais escandalosos acidentes. A gaiola (armação de metal em arco que envolve a parte superior do jipe), o capacete e o cinto de segurança com quatro pontas são os acessórios fundamentais no Jeep Cross; e são rigorosamente vistoriados pela comissão organizadora.
Turbinados X Aspirados
O desfio estava lançado: Quem levaria o caneco? Os motores turbinados ou os aspirados (com carburadores)? Luiz Alberto Fontana (filho), 39, aguardava sua vez otimista com seu jipe aspirado: ‘‘Os turbos, com a enorme potência que têm, 40 % a mais do que os outros carros, patinam e perdem tração nesta condição de pista pesada. Talvez, este seja o aspecto que nivele mais a competição e possamos tirar alguma vantagem. Vai depender muito do braço de cada piloto’’, ressaltou. Minutos depois, seu jipe empacou num dos tantos buracos da pista - a correia dentada escapou apagando o motor...
Numa competição enlameada e ‘‘acidentada’’ como esta, os únicos modelos 4 x 4 que se adaptam são os Jeep Willys - aqueles que surgiram durante a II Guerra Mundial. Por serem pequenos e muitíssimo mais baratos que as Land Rovers e Toyotas, os jipes se consolidaram no Jeep Cross e se apresentam com motores totalmente envenenados (alterados), verdadeiras máquinas de guerra. O barulho das turbinas, instantes antes da largada, é ensurdecedor! Quando a bandeira verde se agita, proteja-se! É lama para todos os lados...
Não teve jeito, os turbinados levaram a melhor, principalmente os que vieram dos pampas, che! Os gaúchos André Rossato (38seg49) e Beto Chiarello (40seg89) ficaram com as duas primeiras posições, respectivamente. Luiz Fabiano Silva, local de Gaspar, ocupou a terceira posição (41seg06). Os melhores paranaenses colocados foram os de Barracão: 9 Alan Kreutz (42seg54) e 10 Rubenson Muller (42seg59).
SERVIÇO: Aventure-se na Lama
- Gaspar é um dos tantos pólos de aventura no estado de Santa Catarina. A apenas 7 Km de Blumenau, a cidade promove, durante todo o ano, eventos de off road, motocross, mountain bike, vôo livre e aeromodelsmo. O gigante Hotel Raul’s tem descontos promocionais para atletas do Brasil inteiro. Reserve a sua vaga pelo telefone: [0xx47] 332-2252 ou pelo e-mail: [email protected]
- Informe-se sobre as atividades do Jipe Clube de Curitiba nos telefones: [0xx41] 253-6009
- A Jipepar, loja da experiente familia Fontana, disponibiliza todos os acessórios que o seu 4 x 4 precisa. Info: Av Monteiro Tourinho, 386, Bacacheri, Curitiba. Fones: [0xx41] 256-4181 ou 256-3561.

mockup